Versão nacional do aclamado musical ‘A Cor Púrpura’ faz dois ensaios abertos antes de estrear na Cidade das Artes

Do Rio Encena

“A Cor Púrpura” ganha versã brasileira depois de ser montada duas vezes na Broadway em 2005 e 2016 Foto: Divulgação

Em 1982, Alice Walker se tornou a primeira escritora negra a ganhar o Pulitizer, um dos mais importantes prêmios da literatura mundial, com “A Cor Púrpura”. Três anos depois, a publicação foi levada para o cinema pelo diretor Steven Spielberg e, com Oprah Winfrey e Whoopi Goldberg no elenco, recebeu 11 indicações ao Oscar. Já nos anos 2000, o drama foi montado duas vezes na Broadway, com adaptação de Marsha Norman, mais uma vez com êxito – em 2016, faturou dois prêmios Tony e o Grammy de Melhor Álbum de Teatro Musical. Após toda essa trajetória de sucesso, a aclamada obra que toca na questão da igualdade de gêneros chega nesta semana ao Brasil prometendo manter o nível, já que a versão nacional é de Artur Xexéo, com direção Tadeu Aguiar, dois respeitados nomes do musical do Brasil.

“A Cor Púrpura” estreia nessa sexta-feira (06), às 20h30, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, onde fica até 03 de novembro, com apresentações também sábados às 17h e às 20h30, e domingos, às 17h. Antes da temporada, porém, a produção realizará dois ensaios abertos ao público: nessa quarta (04) e nessa quinta (05), às 20h30. A entrada é franca.

Encabeçado por Letícia Soares, Sérgio Menezes e Lilian Valeska, o elenco de 17 atores – acompanhado de oito músicos – encena uma história de opressão à mulher que ocorre numa zona rural do Sul dos Estados Unidos do início do século XX, mas que possui pontos em comum com o Brasil de hoje.

Celie é entregue pelo suposto pai a um fazendeiro local, para quem deverá trabalhar sem remuneração. Entre conflitos e laços com outros personagens, a protagonista vê sua trajetória ser pontuada por questões sociais que avançam pelo tempo como, por exemplo, desigualdade, abuso de poder, racismo, machismo, sexismo e a violência contra a mulher.

— A história é universal: fala do ser humano, em especial das mulheres. É imediata a identificação com o momento do país, onde há tantas histórias de opressão às mulheres. “A Cor Púrpura” é um grande grito de liberdade — brada Tadeu Aguiar, que tem no currículo outros musicais de destaque como “Bibi, uma Vida em Musical” e “Quase Normal”.

A trama é costurada por momentos de drama e esperança contados através de 32 números musicais – a direção musical é de Tony Lucchesi. Para poder passar as emoções da versão da Broadway, Artur Xexéo procurou ser mais  fiel aos efeitos sonoros das canções.

— Às vezes, um verso original termina com uma vogal aberta e, para aproximar a versão de uma tradução literal, você termina com uma vogal fechada. Então, o melhor é se afastar da tradução literal e se aproximar do efeito sonoro. Há, na peça, todo tipo de música negra americana: spirituals, blues, work songs, etc. Muito da ação é transmitida pela música. Então, a versão não pode tomar muitas liberdades. Tem que respeitar a intenção da letra original — explica.

Outra preocupação quanto à montagem norte-americana foi a manutenção dos personagens com suas essências. Tudo para que, como Tadeu Aguiar comentou inicialmente, aquela identificação com o público de hoje, mesmo tratando-se de uma história de época, não fosse perdida.

— Não foi preciso adaptação alguma para o musical interessar à plateia brasileira. Ele, naturalmente, fala a qualquer plateia do mundo de hoje — encerra Xexéo.

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