Versão brasileira do clássico ‘Angels in America’ chega ao Rio falando de HIV e outros temas dentro de trama Lgbt

Do Rio Encena

Esta é a primeira vez que o texto de Kushner é encenado na íntegra no Brasil Foto: Mauro Kury/Divulgação

A Armazém Companhia de Teatro chega ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (05) com um projeto audacioso, que apresenta na íntegra (pela primeira vez no Brasil) um clássico texto norte-americano considerado por especialistas um dos mais importantes das últimas décadas. Dirigida por Paulo de Moraes, a versão brasileira de “Angels in America” fica no Teatro Riachuelo Rio, no Centro, até o próximo dia 28 refletindo sobre questões complexas dentro de uma trama Lgbt, assim como na montagem original escrita por Tony Kushner, que estreou em 1993 e venceu alguns dos principais prêmios teatrais dos Estados Unidos, como Tony Award, Drama Desk Award e Pulitzer Prize.

Com um incrível total de quase cinco horas de duração, o espetáculo, que estreou em maio em São Paulo, é dividido em duas partes – intituladas “O Milênio se Aproxima” e “Perestroika”, com cerca de 140 minutos, cada. As sessões acontecem de sexta a domingo, mas apenas no sábado, as metades são encenadas na sequência, como uma grande peça, com um intervalo de 40 minutos. Nos demais dias, são encenadas como montagens autônomas.

Cheio de poesia, “Angels in America” foi escrito por Kushner na década de 1980, durante o governo do então presidente Ronald Reagan. Num cenário de conservadorismo e elitismo (consideradas marcas da Era Reagan), se propagava ainda um temor geral por um ainda desconhecido vírus HIV, que assolava Nova York, cidade onde se passa a trama.

Além da Aids, o texto de Kushner trata ainda de outros temas através de personagens héteros e homossexuais arrebatados por dor, medo e uma frágil esperança. Entre as questões, estão religião, política, relações afetivas, abandono, sexo, medo da morte, covardia, crueldade e História, entre outras.

O espetáculo é uma montagem da Armazém Companhia de Teatro

— “Angels in America” é um épico teatral em duas partes. É uma peça especial, imensa, um mergulho no final do século XX, mas que, diante do colapso em que o mundo se encontra hoje, revela uma atualidade esmagadora. A peça reflete sobre o mundo ocidental, sobre religiões, política… Há um sentido de devastação se alastrando por toda a peça. Mas o resultado cênico é um movimento constante, personagens se fazendo vivos por estarem em movimento. Embora haja um cheiro de realidade permanente, a nossa montagem não é nada realista — acrescenta Paulo de Moraes.

A trama

Entre os protagonistas, está Prior Walter, um gay que está em pânico pelas sequelas que o vírus HIV tem provocado em seu corpo. Para piorar, Louis Ironson, seu companheiro que não tem sabido lidar com a doença, o abandona. Sozinho em seu apartamento, Pior sofre com sonhos febris, nos quais ouve um voz angelical que o chama.

Paralelamente, outro importante personagem da história também é diagnosticado com Aids. Perverso e ultraconservador, o advogado republicano Roy Cohn prefere esconder não apenas a doença, mas também sua homossexualidade. O mesmo faz Joe Pitt, um jovem advogado e uma espécie de seu pupilo. Criando rigorosamente na religião Mórmon, ele prefere omitir que é gay e tenta levar (sem muito sucesso) um casamento com Harper, uma jovem consumidora de Valium, que vive atormentada com alucinações.

Assolados pelo HIV, Joe e Pior tomam rumos diferentes. Enquanto o primeiro, finalmente, assume sua homossexualidade e acaba se relacionando com Louis (ex de Pior), o segundo é “escolhido” pelo personagem Anjo para restabelecer a paz, cessando todos os movimentos migratórios da humanidade. Ele, entretanto, reluta para aceitar a missão. Afinal, é necessário parar e pensar, ou seguir em constante movimento?

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