‘Van Gogh por Gauguin’ estreia em Ipanema promovendo encontro ficcional e dramático entre gênios das artes

Do Rio Encena

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Alex Morenno (E) e Augusto Zacchi vivem Van Gogh e Gauguin, respectivamente Foto: Leekyung Kim/Divulgação

Vincent van Gogh nasceu em 1853 e morreu em 1890. Já Paul Gauguin viveu entre os anos de 1848 e 1903. Os pintores holandês e francês, portanto, foram contemporâneos. Aliás, mais do que isso: eles, que décadas mais tarde viriam a ser vistos como dois dos maiores nomes da história das artes plásticas, chegaram a dividir o mesmo teto na pequena cidade francesa de Arles! E foi a partir deste convívio verídico que a autora Thelma Guedes criou “Van Gogh por Gauguin”, espetáculo que promove um encontro ficcional e dramático entre os personagens. A temporada carioca – a peça estreou antes em São Paulo – começa nessa sexta-feira (04), às 20h, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema.

Dirigidos por Roberto Lage, os atores Alex Morenno e Augusto Zacchi interpretam Vincent e Paul, respectivamente. Dentro de um universo cênico que remete aos padrões cromáticos de ambos os pintores, a montagem convida o espectador a tentar entender por que uma grande amizade, que se torneou forte apesar de ter durado só dois meses, terminou com um fim trágico – o famoso e insano ato de Van Gogh de decepar parte da própria orelha, em 1888. Com uma tensa divergência de temperamentos e visões artísticas, a dupla se desfaz quando Gauguin decide retornar a Paris.

Num exercício dramatúrgico de imaginação, a peça coloca Gauguin, então sofrendo com uma sífilis e já vivendo no Taiti em 1891, tomado por delírios que o fazem acreditar que o próprio Van Gogh está ao seu lado prestes a morrer e o fazendo relembrar da antiga amizade. O que pode explicar tal alucinação é o fato de o francês ter abandonado o antigo amigo, que viria a se suicidar em 1890, anos antes.

Neste estado, Gauguin não tem como não assumir uma falta de entendimento e afeto para com Van Gogh, com quem teve tantos pontos em comum e, aos mesmo tempo, outros tantos divergentes, o que fez esta relação ser tomada por sentimentos intensos e opostos, como amor e repulsa.

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