‘Vala Comum’: espetáculo itinerante trata de violência e opressão em temporada na Tijuca

Do Rio Encena

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

O espetáculo é encenado em diferentes cômodos de uma casa Foto: Dalton Valério/Divulgação

Dos mais rebuscados, como empírico, até os clichês, como “soco no estômago”, a verdade é que adjetivos não faltam para “Vala Comum”, primeira montagem do grupo teatral “Impulso Coletivo” que estreou no último fim de semana. Em vez de num palco tradicional, o espetáculo itinerante acontece numa casa na Tijuca – o endereço não é previamente divulgado pela produção – e trata de violência e repressão procurando fazer valer a máxima de que a arte propõe refletir e tira o indivíduo da zona de conforto.

Com direção de Ivan Sugahara e texto de Carolina Lavigne, a peça aborda tais temas a partir de uma metáfora cujo elemento central é a carne. Um boi passando pelos processos de nutrição e abate antes de ser comido e digerido seria a massificação e industrialização de vidas humanas, muitas vezes vistas como simples mercadorias.

Conforme vai passando pelos diferentes cômodos da residência no bairro da Zona Norte Fluminense, o público acompanha todo este processo, passando por uma experiência provocadora, como classificam os produtores.

— A peça tem um frescor e uma vivacidade potentes, que a distingue das que estamos acostumados a ver nos palcos italianos. O fato de ser itinerante, numa casa abandonada na Tijuca, já a coloca num outro lugar, tanto para quem faz, quanto para quem assiste. Mas o maior diferencial é a relação estreita entre os atores e o material cênico. Todas as cenas foram criadas pelo grupo durante o processo, a partir de um ponto de vista bem particular de cada um. Muito do que tem na encenação surgiu de recortes de nossas vidas e isso nos dá total propriedade sobre o que estamos falando — acrescenta Thiago Teófilo, ator e um dos idealizadores do projeto.

Outra marca pouco comum da peça é o valor dos ingressos. Na verdade, a entrada é cobrada mediante uma “contribuição consciente”, ou seja, cada espectador paga o quanto a sua própria consciência mandar. Como o espaço é pequeno, há um limite de apenas 15 pessoas por sessão, e as reservas podem ser feitas através do telefone (21) 98601-0715.

PUBLICIDADE