Teatro VillageMall, Teatro Prudential, Teatro Petra Gold: três salas no Rio são rebatizadas de uma vez; entenda

Luiz Maurício Monteiro

Os teatros Manchete (E), Bradesco e do Leblon estão de nomes novos Fotos: Divulgação

O que o Teatro Bradesco, o antigo Manchete e a Sala Marília Pêra, no Teatro do Leblon, têm em comum? Todos ganharam novos nomes. Agora os equipamentos culturais da Barra da Tijuca, da Glória e do Leblon se chamam, respectivamente, VillageMall, Prudential e Petra Gold. O surto de novos naming rights em maio, mais do que uma coincidência, pode representar um reflexo dos tempos atuais na cultura do Rio de Janeiro.

O RIO ENCENA entrou em contato com as assessorias de imprensa das administrações dos três teatros, a fim de apurar questões como tempo de contrato para o uso das novas marcas, modelo de administração, realização de reformas, perfil de programação etc. O retorno, no entanto, veio só do Teatro VillageMall.

Fundado em 2013, o teatro da Barra com capacidade para 1.000 é operado pela Opus Promoções e vinha tendo, desde então, patrocínio do Bradesco. Agora, com a saída do banco – que segue financiando uma sala em São Paulo – a produtora segue com o espaço, mas no último dia 10, o rebatizou com o nome do shopping que o abriga. No comunicado enviado à reportagem, e que já havia sido divulgado no site do teatro, a Opus garante que a programação já divulgada será mantida e firma “o compromisso junto ao público carioca em realizar espetáculos culturais de qualidade”.

Já nos casos do Prudential e do Petra Gold, não se trata se uma manutenção do espaço, como o VillageMall, mas, sim, de reinaugurações. Fechado desde 2000, o Teatro Manchete, que fica no antigo Edifício Manchete, foi reaberto brevemente em 2018 pela Aventura Entretenimento. Agora, em 2019, graças a uma parceria com a seguradora que dá nome ao equipamento, a produtora volta a pôr em funcionamento a sala com capacidade para 359 lugares.

Projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo assinado por Burle Marx, o teatro, que foi reformado em 2012, retoma a sua programação nessa sexta-feira (24), com uma temporada de “PI – Panorâmica Insana”, que questiona que futuro aguarda a humanidade e tem no elenco Leandra Leal, Claudia Abreu, Rodrigo Pandolfo e Luiz Henrique Nogueira, sob direção de Bia Lessa. Antes da estreia porém, será realizado um evento aberto à imprensa para apresentação do espaço.

O Teatro Petra Gold, por sua vez, já ganhou o novo nome, mas será reaberto de fato em junho, com um espetáculo ainda não divulgado. No fim de 2017, o então proprietário Wilson Rodriguez – que já havia fechado a Sala Tônia Carrero em 2016 – deixou as outras duas salas, Marília Pêra e Fernanda Montenegro, numa espécie de modo stand by, aguardando produções maiores e mais rentáveis, já que as que vinham se apresentando por lá na época, estavam dando prejuízo.

Com o tradicional equipamento, que tem capacidade para 408 espectadores, praticamente inutilizado, a empresa de serviços financeiros entrou com o patrocínio para reinaugurá-lo. Nossa reportagem também tentou contato com Wilson Rodrigues para falar sobre a Sala Fernanda Montenegro, mas sem sucesso até o fechamento desta matéria.

É a crise!

Mas como encarar estas constantes modificações na identidade dos teatros fluminenses, que tem outros casos recentes como Teatro Riachuelo Rio, Teatro XP Investimentos e Teatro PetroRio das Artes? Com 40 anos de teatro, o professor e ator Gilberto Bartholo, apaixonado que assiste em média um espetáculo por dia, atribui esse troca-troca às dificuldades financeiras do setor. A responsabilidade, para ele, é da atual política pública.

Gilberto é ator, professor, crítico e jurado de prêmio Foto: Arquivo pessoal

— Há uma crise… É um reflexo desse crime, dessa maldade, dessa ignorância perpetrados por este governo maldito. É fruto desta política de querer acabar com a cultura. E não é só no Rio — observa Gilberto Bartholo, de 69 anos, que também é jurado do Prêmio Botequim Cultural, idealizador do blog O Teatro me Representa (que está prestes a virar site) e tem um espaço para opinião no RIO ENCENA.

Pelo lado positivo, Gilberto vê com bons olhos este movimento que tem rebatizado os teatros da cidade, sobretudo no caso dos que reabrem após um bom tempo de inatividade.

— No caso do VillageMall, tiraram a Lei Rouanet (que teve o teto para captação de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão por projeto), e o Bradesco tirou o time de campo. Como outros vão tirar. Espero que o VillageMall segure a barra. Sobre o Teatro do Leblon, é ótimo! Estava fechado e vai reabrir. Com outro nome, mas vai reabrir. É mais um espaço. Com o Manchete, idem! Esse vai-e-volta é por problemas judiciais, e espero que resolvam. E acho interessante que a Aventura tenha entrado nesse esquema. O que acho legal é que as pessoas continuem sobrevivendo. E a gente vai vencer essa batalha — torce Gilberto, não acreditando que a os naming rights se tornem uma tendência nos teatros do Rio: — Creio que não. Tendência é uma palavra muito forte. Aconteceu, como no caso do XP Investimentos, mas não acho que vai acontecer com muitos outros.

Outra consequência em que Gilberto não acredita é que as trocas nos nomes dos equipamentos vá refletir negativamente no público – que, por exemplo, poderia deixar de ir a um teatro pode achar que está fechado, quando, na verdade, apenas foi rebatizado; ou por uma possível mudança no perfil da programação. O que ele acha fundamental, no entanto, é que seja sempre mencionado o nome antigo do espaço para melhor identificação por parte do espectador.

— Acho interessante que, quando se for divulgar algum espetáculo, se fale “Teatro X, antigo Teatro não sei das quantas”… Quando falo Teatro XP Investimentos, digo antigo Teatro do Jóquei. É importante fazer isto para situar as pessoas, para que elas conheçam os novos nomes dos antigos espaços — encerra.

 

Não acho tenência muito forte. acontece

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