Solo ‘O Substituto’ estreia no Sesc Tijuca levantando questionamentos morais e sociais em ‘ambiente escolar’

Do Rio Encena

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Alexandre Lino protagoniza o monólogo dramático Foto: Thyago Andrade/Divulgação

No Brasil, atualmente, cerca de 1,5 milhão de crianças e adolescentes estão fora da sala de aula; a cada 100 alunos que entram na 1ª série, apenas 47 concluem a 9ª; mais de 60% dos alunos do 5º ano não conseguem interpretar textos simples, enquanto que 60% do 9º não interpretam textos dissertativos; isso sem falar nos frequentes casos de agressões de alunos a professores. Tais dados alarmantes sobre a educação no país serviram de estopim para a montagem de “O Substituto”, monólogo que estreia na próxima quinta-feira (04), às 19h, no Sesc Tijuca.

Por trás deste projeto, que fica em cartaz só até o próximo dia 21 – com sessões também de sexta a domingo no mesmo horário – está um trio já entrosado. O ator Alexandre Lino, o autor Daniel Porto e a diretora Maria Maya voltam ao palco do Sesc Tijuca, onde estrearam em julho de 2016 o também solo “Lady Christiny”, sobre uma travesti atípica. Desta vez, a proposta é levantar questionamentos sociais e morais a partir do atual momento da educação brasileira.

— Durante o processo de construção deste espetáculo, nos alternamos muitas vezes como alunos, professores, e até mesmo diretores. A urgência dos questionamentos diante do atual cenário da nossa educação era enorme. Mas a necessidade de se fazer teatro diante do atual cenário da nossa cultura no país era tão grande quanto — recorda Maria, se referindo à nova parceria com Lino e Daniel: — Juntamos nossa coragem e afinidades intelectuais em busca deste pertencimento.  Hoje tenho certeza que este encontro que começou em “Lady Christiny” e agora se estende em “O Substituto” era mais que necessário. Pois só arte mesmo para tornar a nossa realidade tolerável.

Em cena, Lino interpreta Humberto, um professor de história do ensino médio que, após assumir o cargo devido a mudanças na direção do colégio, está diante de uma primeira e inesquecível aula inaugural – ambiente no qual os próprios espectadores “vivem” os alunos. Sem propor julgamentos ou influências, o texto procura causar identificação no público com questões comuns a qualquer um.

— Quando idealizamos um projeto estamos sempre projetando conquistas e expectativas. Com essa peça foi diferente. Durante o processo percebemos que eram assuntos tão emergenciais e muitas vezes apresentados de forma tão indigesta, que se tornaram maior do que nós — explica o ator, encerrando com um resumo sobre seu personagem: — Este professor é tão real aos olhos de qualquer um que pode gerar empatia, ódio, risada, deboche ou qualquer outro sentimento

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