Sobre Jorge Amado e Zélia Gattai, ‘Na casa do Rio Vermelho’ faz sessões no Sesc Ginástico e no Prudential

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Luciana Borghi e Pedro Miranda Foto: Victor Hugo Cecatto/Divulgação

Um dos casais mais famosos da literatura brasileira, Jorge Amado (1912-2001) e Zélia Gattai (1916-2008) terão seu romance de mais de 50 anos contado no teatro carioca. Com texto e direção de Renato Santos, “Na Casa do Rio Vermelho – O Amor de Zélia e Jorge”, que estreou em Salvador em 2016, passa por dois palcos do Rio de Janeiro nas próximas semanas. Nessa sexta-feira (09), às 19h, a estreia acontece no Sesc Ginástico, no Centro, onde faz somente três apresentações. Já no próximo fim de semana, começa uma curta temporada no Prudential, na Glória, com sessões apenas aos sábados, às 17h.

— A encenação é realista, histórica. O espetáculo segue uma cronologia, que vai desde o primeiro encontro do casal, na década de 40, até a despedida de Zélia Gattai da casa do Rio Vermelho, onde está tomando providências para fazer da casa, um memorial — explica o autor e diretor.

A casa do Rio Vermelho, citada por Renato e no título da peça, foi a residência dos escritores por 40 anos, onde recebiam artistas nacionais e internacionais como Pablo Neruda, Vinícius de Moraes, Glauber Rocha, Tom Jobim, Jean-Paul Sartre, João Ubaldo Ribeiro, além de lideranças religiosas locais e políticos. Já em novembro de 2014, depois de passar por reformas, o imóvel foi aberto como um memorial onde o público tem acesso a livros originais, à biblioteca e a obras de arte. E apesar das obras, o espaço teve suas características originais do tempo em que o casal vivia por lá mantida, inclusive, com as cinzas de ambos enterradas no jardim.

Com texto construído a partir dos livros de Zélia, Luciana Borghi interpreta a escritora paulista. Para se preparar para o papel, a atriz, que é idealizadora do projeto, fez um profundo laboratório de caracterização, buscando detalhes na voz, nos trejeitos e até na origem da homenageada como imigrante italiana criada em São Paulo.

—  Me mudei para a Bahia com a finalidade de estudar a vida de Zélia e Jorge. Entrevistei amigos, criei laços com os seus netos, até que a presidente da Fundação Jorge Amado convidou o espetáculo para estrear no centenário da Zélia, que foi em 2016, na própria casa deles, o memorial. Precisava de tempo para vivenciar o universo, para frequentar o espaço, a casa, não como visita — recorda.

Já o papel de Jorge Amado ficou com Pedro Miranda, que interpreta ainda outros personagens, como Dorival Caymmi, por exemplo.

No repertório musical, claro, estão canções que marcaram a vida do casal.

— Não tem muito arranjo. Decidimos fazer uma coisa bem simples, um espetáculo de bolso com tudo tocado e cantado em cena, para acompanhar e fazer um espetáculo bem intimista, próximo à contação de história, que seria Zélia na casa do Rio Vermelho contando a história da vida deles — complementa Pedro Miranda.

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