Sem apoio, elenco de ‘A Serpente’ abre Sala Nathalinha sem medo de horário alternativo: ‘Única possibilidade’

Luiz Maurício Monteiro

Tempo estimado de leitura: 3 minutos
O elenco: o músico Renan Peruscello (E), Tom Moreis, Bruno Daltro, Indira Nascimento (E), Maytê Piragibe e Laís Pinho

O elenco: o músico Renan Peruscello (E), Tom Moreis, Bruno Daltro, Indira Nascimento (E), Maytê Piragibe e Laís Pinho

Amor à arte e coragem. Esses são os elementos que movem o elenco de “A Serpente”, espetáculo, com texto de Nelson Rodrigues, que inaugura a Sala Nathalinha (anexo do Teatro Nathalia Timberg), na Barra da Tijuca, em temporada que começa nesta sexta-feira (12/02), às 23h50. Não, o início da sessão não está errado. Tal horário alternativo foi a solução encontrada pela produção para conseguir apresentar a montagem que não teve apoio financeiro. Perguntados pelo RIO ENCENA sobre os riscos de subir ao palco tão tarde, os atores Tom Moreis e Bruno Daltro, que tiraram dinheiro do próprio bolso para custear o projeto, e Maytê Piragibe, que assim como os demais toparam encarar o desafio sem remuneração inicial, garantiram estar tranquilos.

– Temos que ser independentes, pois esperar do mercado é difícil. Tive a iniciativa de comprar os direitos do texto e chamei o Bruno para produzir. E aí ficamos com esse horário pela logística da escola, as aulas da escola aqui vão até 23h30, inclusive fins de semana. Mas o espaço é ótimo – afirma Tom, com discurso alinhado ao de Bruno: – Não preocupa ser às 23h50. Tivemos que nos adequar. Tem a peça “33 Variações”, então não poderia ser no mesmo horário. E também tem a questão de quem assistir a “33 Variações” poder ficar para a nossa e vice-versa.

Assim como Bruno e Tom, Maytê Piragibe, que não faz teatro há 10 anos devido a seguidos compromissos na TV, também prefere minimizar o horário desfavorável. Para ela, a oportunidade de explorar um espaço cuja proposta é diferenciada dentro da Barra da Tijuca é algo a ser visto com bons olhos.

Com passagens pela TV Globo e pela Rcord, Maytê Piragibe ficou longe dos teatros por 10 anos Fotos: Rodrigo Turazzi/Divulgação

Com passagens pela TV Globo e pela Rcord, Maytê Piragibe ficou longe dos teatros por 10 anos Fotos: Rodrigo Turazzi/Divulgação

– Aqui tem uma nova vertente. Está fora do stand-up e da comédia, que são coisas enraizadas na Barra. Sinto que os moradores daqui têm dificuldade para se despencar para outros circuitos, como o CCBB, por causa do trânsito, do trabalho… Então a gente vem abrindo um experimento despretensioso para saber se assim consegue um outro tipo de público, proporcionando um programa diferente. Um casal que sai para jantar e depois vem ao teatro, ou uma galera que está fazendo um esquenta para depois sair. A gente ainda não sabe bem. Mas foi nossa única possibilidade – frisa.

Esse otimismo é externado de forma até natural pelos jovens  artistas diante das dificuldades encaradas antes e durante o processo de montagem. Entretanto, se por um lado faltou a investimento financeiro de terceiros, por outro sobrou apoio de quem estava logo ali do lado. Protagonista de “33 Variações” ao lado de Nathalia Timberg, e responsável pela construção do complexo teatral, Wolf Maya cedeu a sala anexa.

– A (diretora) Nádia Bambirra é amicíssima do Wolf Maya. Então eles conversaram, e ele topou na hora. A grana era curta, então graças a Deus, a gente não teve que pagar aluguel – comemora Bruno.

A peça

Última obra de Nelson Rodrigues, escrita em 1980 pouco antes de seu falecimento, ” A Serpente” conta a história de duas irmãs muito unidas, Guida e Lígia. Porém, enquanto a primeira é realizada no casamento em todos os sentidos, a segunda segue virgem mesmo após um ano de casada. Vendo a irmã se sentindo rejeitada e já cogitando o suicídio, Guida propõe a Paulo, seu próprio marido, e a Lígia que eles passem uma noite juntos, para que o sofrimento dela diminua. Mas a partir daí, a relação entre elas desanda e acaba em uma grande tragédia, tipicamente rodrigueana.

Sobre o porquê de um grupo tão jovem de atores ter escolhido um texto de Nelson Rodrigues, que morreu antes que qualquer um deles tivesse nascido, Bruno explica:

– Nelson é nosso maior dramaturgo. É como se fosse nosso Shakespeare. Viemos da CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), onde a gente estuda o berço do teatro, desde a Grécia. E lá se valoriza muito os clássicos. E nada melhor do que pegar um Nelson Rodrigues, cair dentro, estudar com afinco, com suor para poder mostrar seu trabalho – finaliza.

Confira mais fotos dos ensaios abaixo:

A Serpente Foto Rodrigo Turazzi2

Bruno Daltro e Indira Nascimento Foto: Rodrigo Turazzi/Divulgação

 

O elenco Foto: Rodrigo Turazzi/Divulgação

O elenco Foto: Rodrigo Turazzi/Divulgação

 

Maytê Piragibe e Laís Pinho Foto: Rodrigo Turazzi/Divulgação

Maytê Piragibe e Laís Pinho Foto: Rodrigo Turazzi/Divulgação

 

Maytê Piragibe e Laís Pinho Foto: Rodrigo Turazzi/Divulgação

Maytê Piragibe e Laís Pinho Foto: Rodrigo Turazzi/Divulgação

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