Musical ‘negro’, ‘Reza’ realiza curta temporada a preços populares no Sesc Copacabana

Do Rio Encena

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O elenco do musical é formado apenas por artistas negros Foto: Claudia Ferreira e Adriana Medeiros/Divulgação

Um espetáculo de teatro musical e negro. É  assim que a produção de “Reza” define a montagem que estreia na próxima quinta-feira (31), às 19h, na Arena do Sesc Copacabana. A peça é resultado de uma livre adaptação da diretora carioca Carmen Luz, que deu uma atmosfera urbana para o conto Reza de Mãe, do escritor paulistano Allan da Rosa. A curta temporada vai apenas até 24 de fevereiro com sessões também sextas, sábados e domingos, no mesmo horário. Já os ingressos, ao contrário da grande maioria dos musicais, saem a preços populares: entre R$ 7,50 e R$ 30.

A fim de recriar um universo de pobres cariocas e periféricos, realidade de muitos na cidade do Rio de Janeiro, Carmen Luz escreveu a história de três mulheres, que, em comum, se chamam Pérola, moram na periferia e batalham e trabalham para sobreviver, criar e proteger os respectivos filhos.

Carmen Luz é diretora e idealizadora da peça Foto: Reprodução/Facebook

— “Reza” é uma perspectiva, onde as imagens, a fala e a escuta constituem rezas, ou seja, formas de relacionamento com a precariedade de nossa existência. Uma perspectiva aberta à instabilidade, ao diálogo e ao desejo permanente de comunicar outras epistemologias, diferentes sensibilidades, modos de ser, estar, falar e viver presentes na vida negra periférica — explica Carmen, que é mestre em Artes e Cultura Contemporânea pela UERJ .

No elenco – exclusivamente negro – estão três músicos e sete artistas da Orquestra de Pretos Novos especializados em canto, teatro e música, que se auto declaram negros e de identidades sexuais diversas. Suas diferentes vivências pelo subúrbio do Rio, inclusive, serviram de base para a adaptação teatral e a performance artística.

A partir desta base, a encenação buscar trazer à tona a subalternização de pessoas que vivem em áreas menos privilegiadas. Em contrapartida, porém, há também a proposta de exaltar a sobrevivência como experiência criativa, que depende de colaboração, solidariedade e empatia.

— “Reza” é também homenagem a nossos antepassados africanos bantos, os pretos novos: nomenclatura genérica dada homens e mulheres que, recém-chegados à força para a escravidão em nossa cidade maravilhosa, sucumbiam. Sem rituais, seus corpos eram alvo do bruto descarte e apodreciam a céu aberto. “Reza” assume que essa tragédia se prolonga nos corpos das pessoas negras periféricas, objetos de permanente descarte político-social, sujeitos de profundos traumas e conflitos existenciais. É para eles, os nossos antepassados, e para nós, negras e negros periféricos globais de agora, a realização do nosso “Reza” — finaliza Carmen Luz.

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