Morre Bibi Ferreira, ícone do teatro musical brasileiro, aos 96 anos

Do Rio Encena

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Aos 96 anos, Bibi foi vítima de uma parada cardíaca Foto: Willian Aguiar/Divulgação

Morreu no início da tarde desta quarta-feira (13), aos 96 anos, Bibi Ferreira, considerada por muitos a principal referência do teatro musical no Brasil. A atriz estava em casa no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro, quando se sentiu mal. Por volta de 13h, como confirmou sua filha única Teresa Cristina, a grande diva dos palcos nacionais veio a falecer, vítima de uma parada cardíaca. Até a publicação desta nota, ainda não havia informações sobre velório e sepultamento.

Em setembro de 2018, Bibi – que no início do ano viu estrear, em sua homenagem, o espetáculo “Bibi – Uma Vida em Musical” – havia anunciado que estava pondo fim à sua extensa carreira profissional de 77 anos. No anúncio que fez no Facebook, ela afirmou que “entender a vida é ser inteligente”, justificando a aposentadoria dos palcos com a idade avançada. No entanto, meses antes, a artista fora internada três vezes, sendo a última em junho, com um quadro de desidratação.

Bibi vinha se a shows com repertórios de artistas a quem ela admirava Foto: Divulgação

Antes de pôr um ponto final em sua trajetória profissional, Bibi vinha se apresentando com shows – uma das marcas de sua carreira. Entre eles, o “Por Toda Minha Vida”, apenas com canções nacionais; o “4xBIBI”, em que reunia clássicos de vozes icônicas no mundo como Amália Rodrigues (1920-1999), Edith Piaf (1915-1963) e Carlos Gardel (1890-1935); e um cujo repertório era feito apenas com músicas de Frank Sinatra (1915-1998) – com este, chegou a se apresentar em Nova York, já com 90 anos. Já um outro, somente com composições de Dorival Caymmi (1914-2008), acabou sendo cancelado quando ela anunciou a aposentadoria.

Além do musical sobre sua trajetória, Bibi Ferreira recebeu outras inúmeras homenagens ao longo da carreira. Entre elas, foi enredo no Carnaval de 2003 da Unidos do Viradouro e, mais recentemente, foi a grande homenageada do Prêmio Cesgranrio de Teatro na edição de 2016.

Bibi Ferreira com Paulo Autran em O Homem de la Mancha Foto: Reprodução/Internet

Nascida Abigail Izquierdo Ferreira em 1º de junho de 1922 (tal data só foi definida por ela própria anos depois, já que o pai dizia 04 e a certidão de nascimento, 10), Bibi era filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina argentina Aída Izquierdo. Subiu a palco pela primeira vez no mesmo ano, com apenas 24 dias de vida, para “substituir” uma boneca que tinha sumido pouco antes do início do espetáculo “Manhãs de Sol”, de Oduvaldo Vianna. Já a estreia profissional ocorreu em 1941, quando interpretou Mirandolina na peça “La Locandiera”.

Bibi Ferreira na versão brasileira de “My Fair Lady” em 1962 Foto: Divulgação

Ainda nos anos 40, Bibi, que viria a se casar seis vezes, fundou sua própria companhia e passou a crescer na profissão atuando, dirigindo e produzindo, inclusive em Portugal. Porém, foi a partir de 1960 que ela começou a se destacar no gênero com a consagrou: o teatro musical. Protagonizou versões brasileiras de clássicos da Broadway como “My fair lady” (1964) e “Alô, Dolly” (1965), se tornando assim fundamental para que os musicais ganhassem mais espaço por aqui. Inclusive com reflexos anos depois, já que Miguel Falabella montou estes mesmos dois espetáculos recentemente.

Atuação elogiada e premiada

Nas décadas seguintes, seguiu brilhando com outros musicais como “Brasileiro, Profissão: Esperança” (1990), “O Homem de la Mancha” (1972), “Gota D’Água” (1975) e “Bibi in concert” (1991). Neste período, ela levou aos palcos aquele que talvez tenha sido seu maior sucesso, que a elevou a outro patamar nacional e internacionalmente: “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção” (1983), sobre a cantora francesa Edith Piaf (1915-1963), com o qual foi elogiada por crítica e público e ganhou alguns dos principais prêmios do teatro nacional, como Molière, Mambembe, Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e Pirandello.

Como se não bastasse tamanho destaque no teatro, Bibi se dedicava também a outros meios, como TV e cinema. Na telinha, por exemplo, inaugurou, em 1960, a TV Excelcior, na qual levou ao ar o programa ao vivo “Brasil 60”, que apresentava grandes nomes do teatro e depois passou a ter versões a cada ano: “Brasil 61”, 62, 63… Ainda na mesma emissora, apresentou o programa “Bibi sempre aos domingos” e atuou no musical “Bibi ao vivo”, que era transmitido do auditório da Urca.

Já no cinema, esteve em algumas produções, entre elas “Flávio Rangel – O Teatro na Palma da Mão”, na qual interpretou ela própria e fez sua última aparição nas telonas.

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