Idealizador da Festa da Comédia Carioca revela critério para convidar humoristas: ‘Não aceitaria babacas’

Luiz Maurício Monteiro

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Sentido horário: Paulinho, Nany, Bemvindo, Sterblicht, Paulo Vieira e Zéu Fotos: Reprodução/Facebook

Para a primeira edição da Festa da Comédia Carioca, que começa neste sábado (05), no Teatro XP Investimento, foi utilizado apenas um critério para a seleção de humoristas: não chamar quem pudesse fazer qualquer tipo de piada preconceituosa. Em conversa com o RIO ENCENA, o jovem Caio Bucker, idealizador e um dos produtores do evento, garantiu que preparou um repertório variado de estilos de comédia, mas preferiu deixar de fora aqueles que considera “babacas, machistas e homofóbicos”. E não hesitou em citar nomes:

— A única restrição que tive e propus ao teatro é que não aceitaria babacas e preconceituosos. Danilo Gentili, Carioca, Rafinha Bastos… Falo sem problemas. Acho uns “pela saco”, babacas, machistas, homofóbicos, preconceituosos… Não vejo graça e acho ruim o tipo de comédia que fazem — detona o carioca, de 28 anos.

Com o critério bem definido de excluir o preconceito, Caio passou a pensar no ecleticismo do time de humoristas. Mesmo sem patrocínio, ele teve aceitação imediata ao apresentar o projeto a nomes como Zéu Brito (com quem trabalha há dois anos no solo “Delírios da Madrugada”), Eduardo Sterblitich, Paulinho Serra, Diogo Portugal, Paulo Vieira, Nany People (a madrinha desta edição) e o veterano Bemvindo Sequeira, entre outros.

Além das apresentações destes humoristas, a Festa da Comédia Carioca – uma parceria entre a Bucker Produções Artísticas e a LGL Promoções, administradora do Teatro XP – vai até 24 de fevereiro com outras atrações. Será apresentado ao público, no foyeur do teatro, uma galeria de fotos dos mais de 50 anos de carreira de Bemvindo Sequeira, além de um lounge oferecido pelos apoiadores do evento. E a ideia é fazer da festa uma tradição na cena teatral carioca já a partir do próximo verão, como conta Caio na entrevista abaixo:

Qual foi o critério para convidar os humoristas?
A única restrição que tive e propus ao teatro é que não aceitaria babacas e preconceituosos. Danilo Gentili, Carioca, Rafinha Bastos… Falo sem problemas. Acho uns “pela saco”, babacas, machistas, homofóbicos… Não vejo graça e acho ruim o tipo de comédia que fazem. A comédia, assim como a arte e como tudo no mundo, tem mudado. Tenho visto comédias irônicas, fazendo mais críticas, que é uma das funções da comédia desde que foi criada na Grécia. Tivemos a época do stand-up comedy, da comédia de costumes, mas hoje temos mais críticas, como “A Vida não é um Musical – O Musical” e “O Condomínio”, espetáculos que assisti em 2018, além do próprio “Delírios da Madrugada”, que produzo. Quando comecei a curadoria da festa, pensei nessa pegada mais crítica e também na diversidade, já que temos pessoas de diferentes lugares do país. É um festival democrático.

Caio Bucker é o idealizador da festa Foto: Igor Mota/Divulgação

Acha que poderiam existir mais eventos assim na cena teatral carioca?
Na verdade, o que acontece é a mesmice. Os eventos são sempre a mesma coisa, não só no teatro, mas na música, nas festas… Recebo convites dizendo “a festa que vai mudar o verão”. Mas depois vejo que é a mesma coisa de dois anos antes. Falta inovação. O Tempo Festival é legal. Aliás, o nosso nome inicial seria festival, mas mudamos porque vejo como uma festa, uma comemoração pela cidade. Apesar dos tempos difíceis, acho que é preciso arranjar motivos para sorrir.

Acredita que haja algum preconceito por parte da classe artística com a comédia no teatro?
Existe preconceito com muita coisa que dá certo. O stand-up ainda se mantém muito em São Paulo, mas aqui no Rio foi mais uma fase. Aliás, o Rio é muito de moda. Agora está uma moda de musical. Mas, como ia dizendo, o stand-up foi muito criticado, na minha opinião, porque uma peça demora para ser montada, para produzir, ensaiar e captar, enquanto que na sala ao lado, tem um humorista só com a roupa do corpo falando 50 minutos de piadas e lotando o teatro. Acho que a maior crítica por parte da classe é esta. Enquanto no teatro se dedica muito por muito tempo para montar uma peça, o stand-up bomba em menos tempo. E tem também aqueles humoristas preconceituosos. Você não pode censurar, mas se ele falar de algo que não concorda, você pode rebater. Já vi humorista fazer piadas machistas, homofóbicas. Falei que não gostei, ele me chamou de careta, e eu saí da produção. Esse tipo de humor também queima o stand-up. Afinal, tem coisas inteligentes no stand-up. Por exemplo, Paulo Vieira, que chegou aos grandes centros há pouco tempo e vem bem, Nany People é gênio…

E como será a primeira edição da Festa da Comédia Carioca?
Pensei em dois diferenciais para não fazer só mais uma mostra de stand-up. Primeiro, que não temos apenas stand-up. O Paulinho, por exemplo, faz com personagens diferentes; o Zéu é com músicas; o Eduardo é um talk show. Na verdade, tem aquela coisa de democratizar a comédia, como eu havia falado. E a outra diferença é que temos outras duas atrações. Faremos uma homenagem ao Bemvindo, com fotos da carreira dele expostas no foyeur, e também um lounge, na área externa. Duas marcas vão fazer uma ocupação: a cerveja Brewhood, que vai ser lançada no evento, e a Ziper, que prepara uns lanches e apoia muito a cultura e o teatro no Rio. O pessoal vai poder chegar antes, ficar nesse espaço, assistir à peça, e depois voltar para o espaço. Como se fosse um Baixo Gávea, mas sem precisar sair de lá de dentro.

Já tem previsão para a segunda edição?
A ideia é fazer sempre no verão. Ou seja, janeiro e fevereiro do ano que vem. Talvez no inverno, mas a ideia mesmo é no verão. A cidade está cheia, o pessoal chega cedo para o lounge, bebe uma cerveja, curte uma música. No verão, isto fica mais propícia. E a festa é para todos, cariocas e turistas.

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