‘Era pra ser um Stand-up’ reestreia com novo elenco no Vannucci resgatando conflito entre gêneros teatrais

Do Rio Encena

Aarhon Pinheiro e Bia Guedes formam a nova dupla da comédia romântica Foto: Renato Mangolin/Divulgação

Drama ou comédia – ou até stand-up comedy, por que não? – eis a questão. Desde os tempos de William Shakespeare, um dos maiores dramaturgos de teatro da história que viveu entre os séculos XVI e XVII, os diferents gêneros teatrais provocam divergências de opinião. Há quem prefira um, há quem prefira outro. E é no embalo deste eterno embate que o espetáculo “Era pra ser um Stand-up” reestreia com elenco renovado no Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea, nessa sexta-feira (23), às 20h, dando ênfase ainda ao estilo de humor que, embora venha se popularizando cada vez mais no país, sequer é considerado teatro por muitos.

Oriundo dos Estados Unidos, o stand-up comedy nasceu com a ideia de escalar um comediante para entreter e esquentar o público de bares e restaurantes antes da atração principal da noite. Com o passar do tempo, porém, o estilo passou a dividir espaço e pautas em teatros com espetáculos, o que fez muita gente torcer o nariz por considerar que não se trata de um trabalho que apresenta enredo, personagens elaborados, cenografia, figurinos e afins.

“Era pra ser um Stand-up” conta a história de Lelê, um comediante que quer provar que stand-up também é uma forma de humor ao entrar para a companhia teatral de Rossana, atriz que logo oferece resistência ao recém-chegado. Mesmo com a incompatibilidade inicial, entretanto, um caso de romance começa a ganhar forma.

O casal improvável nesta nova montagem é formado por Aarhon Pinheiro e Bia Guedes, que substituem Thati Lopes e Victor Lamoglia, protagonistas da versão que estreou em janeiro de 2016. Além das modificações no elenco, o diretor Wendell Bendelack conta que o roteiro original de Pedro Henrique Vasconcellos sofreu alguns ajustes.

— Passou pouco tempo, mas fizemos ajustes necessários. Em termos que hoje poderiam ser vistos como machistas, por exemplo. Pode não parecer, mas em três anos muita coisa mudou e avançou nesse sentido — explica.

Apesar de promover reflexões acerca das diferenças entre gêneros teatrais, o espetáculo não levanta bandeiras, tampouco toma algum partido. A começar pelos próprios atores:

— Muitos comediantes de stand-up não sabem, mas eles interpretam um personagem: eles mesmos. Isso é feito de forma intuitiva, utilizando as técnicas do stand-up para acontecer. O teatro, assim como qualquer arte, detém técnicas — destaca Aaron.

— Amo e acredito em qualquer tipo de arte. Cada um se identifica mais com uma parte, em especial, mas se arriscar um pouco em todas elas é muito agregador. Poder opinar por experiência própria é diferente — complementa Bia.

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