Em tempos de Covid-19, aprimoramos as regras de higiene; mas e as regras básicas de decoro social?

Luciana Kezen

Luciana Kezen

34 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Em teatros e cinemas por todos os lugares onde já fui, dentro e fora do país, já me deparei com as mais absurdas situações criada pela plateia. Sim, a plateia. Aquele grupo de pessoas que todos os artistas almejam nas suas apresentações, exibições, performances. Essas maravilhosas pessoas que vão atrás da arte, do entretenimento. Sem plateia, não tem teatro.
No entanto, onde estão os modos das pessoas?

Atender telefone em plena sessão de teatro não é legal, gente. Como assim tem gente que tira selfies no meio de um filme no cinema? Só eu que acho incômodo quando as pessoas levantam o celular e começam a tirar fotos ou filmar um espetáculo logo depois do anúncio do teatro dizendo que “é expressamente proibido fotografar ou filmar o espetáculo sem prévia autorização da produção”?

Pode parecer bobeira, como lavar as mãos sempre que chegamos em casa, mas sabemos que não é. Essas pequenas atitudes incomodam e prejudicam a muitos. Já presenciei plateia plugando o carregador do celular em cenário de peça. Entre uma apresentação e outra, certa vez descobrimos que alguém havia vomitado na platéia, e não se dignou a avisar a equipe. Como assim, eu tenho que achar normal, uma pessoa tossindo ou espirrando dentro de um ambiente fechado? Por mais lindo que seja o cenário da peça que você acabou de assistir, por favor, não suba no palco para brincar com os objetos de cena.

Será que estamos tão acostumados a viver em nossas pequenas bolhas que esquecemos as pessoas ao nosso redor? Talvez. Cada vez mais estamos fazendo uso de plataformas online para assistir programas e filmes. Não precisando depender de horários específicos, sem depender de pessoas à nossa volta, podendo pausar no momento que bem entendemos, estamos nos esquecendo de sermos simplesmente educados uns com os outros.

(Montagem/Rio Encena )

Aproveitando o ensejo de estarmos revendo nossas pequenas noções básicas de higiene, vamos também lembrar das questões básicas de comportamento em público. O quão alto você precisa falar no seu celular? É realmente necessário que você, um adulto, peça a crianças para ficarem quietas em uma peça infantil? Será que você realmente precisa tirar uma foto ou filmar um espetáculo que você está assistindo?

Lembremos das pessoas ao nosso lado, sempre. Durante momentos difíceis de Covid-19 ou no metrô do dia-a-dia. Não infligir o espaço do outro é um trabalho de cuidado diário.

Um aceno de mão efusivo, e até a próxima semana!
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.br.

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