‘Diário do Farol – Uma Peça Sobre a Maldade’: Em todos os ‘requintes’. Mas pode haver muito mais do que estes

Gilberto Bartholo

Gilberto Bartholo

69 anos, é ator, professor, crítico teatral e jurado do Prêmio Botequim Cultural.

O público se acomoda e fica encantado com o cenário. Já é um bom presságio. Outros já haviam surgido antes; para mim, pelo menos: um espetáculo inspirado num livro de JOÃO UBALDO RIBEIRO, uma direção de FERNANDO PHILBERT e uma interpretação de um dos mais magníficos atores brasileiros, em todas as mídias, porém com destaque maior no TEATROTHELMO FERNANDES. A expectativa era muito grande. A minha, incomensurável. E o espetáculo “DIÁRIO DO FAROL – UMA PEÇA SOBRE A MALDADE” tem seu início.

THELMO, transita pelo espaço cênico, com uma garrafinha de água numa das mãos, parecendo meio nervoso, desorientado, já o personagem. Depois de circular bastante, despertando a curiosidade do público, dirige-se a alguém, da plateia, e pede-lhe que abra a sua garrafinha. Feita a gentileza, encara a pessoa, agradece-lhe e, virando-se para o público diz, seca, porém, peremptoriamente, sua primeira fala: “Não se deve confiar em ninguém”. E, pelo que se vai observando, ao longo da peça, parece que o personagem tem razão mesmo. Basta prestar atenção à última frase e a todo o texto, durante o qual faz desfilar tudo de mal, de terrível, de inacreditável, que teve a coragem de fazer, durante a sua vida. Vida? Eu disse: “VIDA”? A frase final é esta: “Alguém como eu sempre poderá estar perto de você.”.

espetáculo foi idealizado pelo saudoso DOMINGOS OLIVEIRA, o qual, infelizmente, não conseguiu chegar a ver concretizado seu projeto, assumido, então, a adaptação dramatúrgica, por FERNANDO PHILBERT e THELMO FERNANDES, como um grande desafio e uma justíssima homenagem a DOMINGOS, por tudo o que ele, mesmo morto, representou, representa e sempre representará para as artes brasileiras, principalmente o TEATRO e o cinema.

“Eu sou o pior dos seres humanos. Encarnei, em mim, tudo o que me conveio.”. Assim se apresenta o personagem, anônimo, porque tantos, como ele, convivem conosco, sob a pele de um cordeiro, na maioria das vezes; doentes, psicopatas, perversos… O personagem deste solo é sombrio, debochado, cínico, dissimulado, pornográfico, perverso… Amoral? Quem sabe?

 

SINOPSE

 

Em cena, cara a cara com o público, a poucos passos das pessoas, um homem, aparentemente normal, capaz de dissimular, matar e torturar, entre outras vilanias, e que consegue, ainda, ver beleza nos horrorosos e sádicos atos por ele praticados.

Esse homem pode estar em qualquer lugar, sentado ao nosso lado, no transporte público, ou, mesmo, ocupando um cargo de liderança. O personagem pode representar qualquer um de nós, inclusive.

Ou mesmo isolado numa ilha, como é o caso deste personagem-narrador, o qual sai, agora, da literatura para o palco, onde e quando não poupa o público dos detalhes mais sórdidos de seus atos.


A trajetória do espetáculo, desde o pontapé inicial do projeto, está nas linhas seguintes, extraídas do “release”, enviado por CHRISTOVAM DE CHEVALIER (ASSESSORIA DE IPRENSA).

“Uma peça sobre a maldade. Essa foi a frase usada por DOMINGOS, quando apresentou o projeto a PHILBERT. O ano era 2014, mas a ligação de DOMINGOS com a ideia vinha de muito antes. O personagem criado por UBALDO tem, na sua gênese, características que remetem ao TEATRO. Mais exatamente, às tragédias, sejam as da Grécia Antiga ou, séculos mais tarde, às de Shakespeare. Natural que essa trama ganhasse, cedo ou tarde, uma adaptação teatral – como já ocorreu em 2011. Mas a ideia de fazer, dessa história, um monólogo, fato, até então, inédito, foi de DOMINGOS. E a tal frase veio bem a calhar, como complemento ao título da montagem.”PHILBERT mostrou, então, o projeto a THELMO FERNANDES, e os dois não pensaram duas vezes, para que assumissem o comando do barco.

“Não há quarta parede entre público e intérprete. Esse personagem, desprovido de um nome, pode estar na ilha onde é faroleiro ou em qualquer outro lugar.”“O que vou contar agora é honesto e verdadeiro. Sou capaz de matar. Já matei”, faz parte do seu relato.

“Duas são as motivações que o levam a contar sua história. Uma delas é a vaidade, origem, segundo ele próprio, de todos os outros pecados. E o personagem tem muito a relatar. Da relação com o pai, pautada pela total falta de afeto, passando pelo seminário, onde presta favores sexuais em troca de privilégios, culminando no trabalho de informante do DOPS, a temida polícia do governo militar. Um homem assim foi capaz de amar. A prática do celibato nunca foi por ele seguida, como ele próprio frisa. E teve, na figura de Maria Helena, seu grande amor. E isso em nada irá redimi-la. Aquele que foi seu amante acaba por tornar-se seu algoz. Um homem que transita pela obscuridade. E essa relação claro-escuro faz-se presente no jogo cênico, que usa de elementos como sombras e fachos. Ondas de rádio e falas gravadas do próprio ator contribuem para que o público conheça melhor esse personagem e sua história. Um homem cuja sordidez desconhece limites ou pudores. Um homem que pode estar bem perto de qualquer um de nós.”. A outra motivação, segundo o personagemé “fazer um bem” aos que o ouvem.

Tentando fugir a “spoilers”, procurarei falar, da forma mais cronológica possível, das desgraças praticadas por esse ser abjeto, canalha, ignóbil e, ao mesmo tempo, digno de pena. Será?!

Ele anuncia que o que irá contar é “honesto e verdadeiro” e o faz “por um impulso vital e essencial para a minha vida”. E afirma que “A realidade é muitíssimo mais inacreditável do que qualquer ficção.”. Diz quem é, um faroleiro, que vive isolado numa ilhota, “ironicamente chamada de Água Santa”, solitário, contando com a companhia de “três cadelas de índole irascível”. Descreve a habitação simples, que construíra e onde mora, e fala do seu cotidiano, naquele inóspito lugar, perdido da civilização. Diz ser “o pior dos seres humanos” e que não fez, nem de longe, o que de mau já se fez, mas que teria feito, se oportunidades não lhe faltassem. Ou seja, não se arrepende de nada.

Ao falar de sua infância, já começa a chocar os espectadores, com relatos tristes e que podem, de certa forma, justificar sua personalidade, depois de formada. O assassinato da mãe, obra do pai; as amantes deste; o casamento do pai com a cunhada, sua cúmplice no crime; os maus tratos e toda sorte de humilhação que o pai lhe impunha. “A carne assada do funeral foi servida fria nas bodas. A minha infância foi infernal.”. Essa “infância” seria interrompida, aos 14 anos, quando, por determinação do pai, e contra a própria vontade, que era  ser cadete do ar, foi enviado a estudar e morar num seminário, porque “um merda desse tipo, que devia usar saia mesmo”, segundo o pai.

Ao relatar essa passagem, o personagem cantarola um trecho inicial da canção “My Way” (“Meu Jeito”), de Paul Anka“And now, the end is near / And so I face the final curtain / My friend, I’ll say it clear / I’ll state my case, of which I’m certain / I’ve lived a life that’s full / I’ve traveled each and ev’ry highway / And more, much more than this / I did it my way”. Tradução (literal): “E agora o fim está próximo / E, portanto, encaro o desafio final / Meu amigo, direi claramente, / Irei expor o meu caso, do qual estou certo, / Eu tenho vivido uma vida completa, / Viajei por cada e todas as rodovias, / E mais, muito mais que isso, / Eu o fiz do meu jeito”.

A partir de então, decidiu que seria, para sempre, terrivelmente mau. “Tão mau quanto me permitissem a astúcia, a dissimulação e o uso de   qualquer recurso, por mais torpe, de que agora me sentia vigorosamente capaz.  Eu seria o pior dos homens. (…) Não teria piedade, comiseração ou solidariedade, a não ser em meu benefício, não me deixaria levar por nada do que me falassem, a não ser que me conviesse, esmagaria, usando os artifícios mais sórdidos, embuçados ou não em bondade, quem quer que me fizesse oposição. Eu era sozinho, sim, mas venceria, e minha vitória seria minha recompensa perene, qualquer que fosse o preço que os outros pagariam por ela.”.

Num determinado momento, passa a falar de uma visão (Ou sonho? Ou alucinação?), que tivera da/com sua mãe, que lhe exigia vingança, fato que também poderia justificar ou superlativar a sua má índole e o seu vil comportamento. “Eu quero vingança! Vingança! Eu preciso de vingança! Não haverá paz para ti nem para mim, enquanto não levares adiante essa vingança! E essa vingança só poderá chegar pelas mãos da Morte! E a Morte, por seu turno, espera a ajuda de tuas mãos, meu filho querido!”.

Os relatos que se seguem são sobre o seminário, palco de atos os mais execráveis possíveis. Lá, o personagem passou a exercer uma liderança, a mais desaprovada e aceitável que poderia acontecer, onde, segundo suas próprias palavras, formara uma “espécie de núcleo transgressor, uma verdadeira ordem secreta”, na qual, por meio de subterfúgios, subornos e corrupção, cometeu os mais odiosos gestos, ligados a práticas homossexuais, entre colegas e padres, entre colegas e colegas e entre padres e padres. E ele no meio de tudo, apenas na condição de “ativo” e limitando os atos libidinosos dos quais participava, já que “era homem”. A vida no seminário levou-o a uma conclusão: “Deus, como formulado pelos religiosos, não existe e, se existe, é indiferente ao destino humano.”.

De mesma forma chocante são seus relatos sobre as primeiras férias passadas em casa, quando conheceu a irmãzinha, fruto do casamento de seu pai com a tia, e, em outra ocasião, um irmãozinho, de cujos destinos prefiro poupar-lhes saber, por enquanto, mas que são momentos de grande tensão, na peça. Já ouviram falar de arsênico branco? Ih! Acho que escorreguei num “spoiler”!

Um traço doentio e curioso, quase inexplicável, um fetiche do personagem era uma fixação que tinha pelo pai, apesar de tudo. “Lembro-me, às vezes, de quando meu pai saía para o trabalho, e eu, quase com volúpia, buscava o paletó de pijama que ele deixava pendurado atrás da porta do quarto e o cheirava em sorvos profundos, sentindo o cheiro dele, o que me dava intenso prazer, em vez do nojo que seria de se esperar. Era como um cachorro que não podia resistir à compulsão de cheirar um tronco de árvore ou coisa semelhante.”.

Ainda no seminário, perto de ser ordenado, ouviu, certa vez, do pai: “Você é um verme, uma cobra venenosa, um representante de Satanás na Terra! Você é um demônio, que já nasceu sentado ao lado esquerdo de Deus!”. E o expulsou de casa, dizendo nunca mais querer vê-lo. E o que ele sentia pelo pai era uma mistura como água e óleo: ódio e amor.

Provocou, durante o sacerdócio, uma subversão total, principalmente no quesito castidade, jurando que apenas poucos religiosos, de ambos os sexos, a seguiam à risca e gabando-se de ter possuído muitas mulheres, principalmente as casadas, prática da qual se orgulhava muito, por ter “apimentado” muitos casamentos. já em fase de quase desfeitos, graças às “novidades” que praticava com as mulheres, as quais as passavam a seus cônjuges.

Em boa parte da peça, o personagem fala de Maria Helena, por quem achara que fora apaixonado, e acabou sendo preterido pela moça, a quem, mais tarde, causou tanto mal, sobre quem praticou inúmeras e violentíssimas barbáries, capazes de embrulhar estômagos, depois que se tornou “colaborador”, um eufemismo para torturador do DOPS, no tempo da ditadura militar, sob o codinome de EusébioMaria Helena e o marido, como tantas outras pessoas, haviam sido presas, como subversivos, e submetidos a torturas, as mais vis e monstruosas possíveis. E ele estava lá. “Lembro que, na qualidade de Eusébio, senti uma certa apreensão, um gosto salgado na boca, uma certa palpitação no peito, quando assistia os presos sendo torturados e me veio um transe. Nunca tinha adivinhado esse sentimento, nunca tinha imaginado o quanto falou a meu senso estético, por assim dizer. Há uma beleza especial na tortura, embora eu não possa explicar isto a vocês: ou vocês têm sensibilidade para isso, ou não têm; problema de vocês.”.

Deixarei por conta da curiosidade de quem me lê saber sobre o final de Maria Helena e do pai do narrador-personagem. Fosse eu este, certamente, dir-lhes-ia: “Não tenho o direito de lhes roubar tanto prazer.”.

Chega-se, assim, ao final da tenebrosa narrativa, que não poderia terminar de forma mais marcante do que assim, ou quase assim, numa confissão, que extrapola o patético, mas está longe de revelar arrependimento: “Teria sido melhor minha mãe não me ter dado à luz. Fui capaz de mais crimes do que vocês possam pensar, do que tenham imaginação pra dar forma a eles ou tempo para cometê-los.”.

escritor JOÃO UBALDO parece se transformar num personagem, quando escreve uma obra como esta. E o faz, despindo-se de qualquer grão de moral e de medo de ser julgado por seus leitores. Assume uma baixeza bárbara que, em absoluto, lembra a sua doçura, como pessoa, e o seu tom de artista da pena, em outras obras, a não ser na hilária “salada de pimenta bem ardida”, que é sua “A Casa dos Budas Ditosos”, obra na qual a persona JOÃO UBALDO se mostra “travestido” de uma personagem feminina, para lá de despudorada; lasciva, como amante profissional, e “professora” dos prazeres da carne.

Não conheço, ainda, a obra original, o romance, mas espero fazê-lo o mais rápido possível. Posso, porém, de posse do texto da peça, acreditar que, apesar de uma tarefa hercúlea, para PHILBRT e THELMO, o resultado da adaptação é excelente.

Considero muito difícil, no TEATROdirigir uma única pessoa em cena, num solo, no que FERNANDO PHILBERT parece ter-se transformado num especialista, a julgar, para não citar mais títulos, dois de seus grandes sucessos de direção de monólogos: o premiadíssimo “O Escândalo Philippe Dussaert”, interpretado por Marcos Caruso, e “As Melhores Coisas da Vida”, este mais recente, um grande sucesso, vivido por Kiko Mascarenhas, duas peças marcantes e, por isso mesmo, inesquecíveis. Com um grande profissional sob sua direção, como no caso da peça em tela, PHILBERT conseguiu transpor, para o palco, todas as intenções do romancista UBALDO, extraindo, do ator, seu grande potencial interpretativo, com boas marcações e ótimo aproveitamento do espaço cênico, além de dosar e variar os momentos de maior ou menor tensão, na peça; aqueles em maioria.

THELMO FERNANDES atinge um nível de interpretação que nos leva a considerar este trabalho como um dos melhores de sua longa carreira de cerca de 30 anos. Para mim, iguala-se a seu inesquecível, e menos malvado, Creonte, em “Gota D’Água”. Ator muito versátil, que brilha nos dramas, nas comédias e, até, nos musicais, na pele deste personagem de “ILHA DO FAROL”, ele, de certa forma, sai de uma zona de conforto, sempre cercado por grandes companheiros de cena, e se lança, corajosamente, à missão de interpretar um solo, como um psicopata, que, no fundo, vive (?) para dar trocos, vive (?) movido pelo amargo sabor da vingança, alternando momentos de grande ira e agressividade com debochadas cenas de sarcasmo e cinismo, de uma falsa bondade. Ele nos faz acreditar que pode parecer bom, em determinados momentos, e apenas, nada mais que isso, uma vítima da sociedade. E como trabalha bem o corpo, a voz e as máscaras faciais, para garantir veracidade a seu trabalho! Um dos melhores atores do TEATRO BRASILEIRO e um dos meus preferidos, de cuja amizade muito me orgulho, o que, absolutamente, não é o motivo para tantos elogios, uma vez que sei, muito bem, separar o lado pessoal do profissional.

Quando falei, na primeira frase desta crítica, do cenário impactante da peça, não disse que ele é obra da genialidade da jovem e talentosa cenógrafa NATÁLIA LANA, que também assina o discreto figurino, sobre o qual quase nada há a ser dito. Quanto ao cenário, porém, é uma obra muito interessante, porque é simples e, ao mesmo tempo, pode provocar grandes ilações em cada espectador. Do teto, pendem espécies de cortinas, que vão até o chão, confeccionadas com um plástico grosso, incolor, meio translúcido, meio opaco, com enrugamentos. Essas peças, que lembram tapadeiras, estão distribuídas no espaço cênico, do centro do palco para trás, em várias posições, e o ator vai surgindo por detrás delas, ou entre elas circula, o tempo todo. Passou-me a impressão de que a ideia era mostrar que tantos faroleiros, como aquele, existem pelo mundo e podem surgir do nada, a qualquer momento, criando novas e sucessivas expectativas, para o público. Ao mesmo tempo, servem para desfocalizar, alterar os traços físicos do personagem.

É muito apropriada, para criar o clima de suspense, de mistério e, até mesmo, de horror, a excelente iluminação, obra de VILMAR OLOS, que optou por uma luz mais “fechada”, menos intensa. Fraca, mesmo.

MARCELO ALONSO NEVES, compôs, cuidadosamente, uma excelente trilha sonora (original), que ajuda a pontuar a diversidade de cada cena. Talvez seja uma das trilhas sonoras para TEATRO que mais me lembraram as que são compostas pata o cinema. Tem “cara’ de trilha sonora cinematográfica e é muito boa.

O material de “vídeo mapping”, produzido por JEFF ARCANJO e RAFAEL BLASI, quando utilizados, entram em momentos certos, para ajudar a criar aquele mesmo universo já citado, quando me referi à iluminação.

No programa da peça, consta um bom trecho de uma carta de DOMINGOS OLIVEIRA, endereçada a FERNANDO PHILBERT, por meio da qual ele transfere o bastão ao amigo. Infelizmente, não vou transcrevê-lo na íntegra, porém não posso me furtar a dividir, com quem me lê, algumas passagens dela: “(…) Não sei falar sobre a maldade e você está me fazendo pensar a respeito, o que é muito desagradável. Não sei o que é a maldade nem quero saber. Não a entendo, a não ser como figura poética. (…) Embora eu não acredite, existe muita gente má no mundo! Bate aí na madeira! (…) Quase não consegui completar a leitura do capítulo (o último). É o horror desmascarado, exibindo sua face mais horrenda e desfigurada. (…) E quer saber de uma coisa, Philbert? Retiro o incentivo que dei para produzir a peça. É melhor comprar todos os exemplares existentes, queimá-los num buraco de lixo, com incensos baianos ao redor. Mas nós, de TEATRO, somos assim mesmo. Do sexo, queremos a vida; na maldade, o poeta vê a beleza. Enlouqueceu, o poeta? Perguntaria Ubaldo, se essa frase coubesse naquele sorriso enorme, naquela cara redonda que ele tinha. Saudades do Ubaldo. Nem o trovão ribomba tanto quanto a tua voz. Tua voz é tua lucidez (…).”.

Que ninguém vá assistir a “DIÁRIO DO FAROL”, pensando em se divertir com uma peça leve e despretensiosa. Vai sair do Teatro e deixar o chopinho para outro dia. Ou não. Talvez seja, até, melhor mesmo deixar que o álcool torne o fardo mais leve. Ao contrário: é “pesada”, bem “pesada” e serve para que reflitamos sobre o comportamento humano, sobre a que ponto pode chegar o ser, dito, humano, premido pelas adversidades e armadilhas que a vida lhe prepara ou, como pensam alguns, agindo por uma índole má, que, com algumas pessoas, já nasce.

Não se deixe assustar ou se abater com ou (pel)o que eu escrevi, embora tudo seja a mais pura verdade. Antes de qualquer coisa, devemos saber que estamos na plateia de um Teatro e que aquilo que vemos e ouvimos é ficção. Doída, é verdade, uma exacerbação do que possa existir na vida real, mas “é de mentirinha”. E não deixem de assistir a este, que é um dos melhores espetáculos a que já assisti neste ano da (falta de) graça de 2019!

Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para gilberto.bartholo@rioencena.com.br.

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