Comédia musical ‘As Comadres’ leva pegada política e feminista para o Teatro Sesc Ginástico

Do Rio Encena

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As atrizes do elenco vão se revezar nos papéis do espetáculo Foto: Guga Melgar/Divulgação

Comédia musical, musical tragicômico, drama cômico… Podem ser várias a denominações para o espetáculo “As Comadres”, que entra em cartaz na próxima quinta-feira (11), às 19h, no Teatro Sesc Ginástico, no Centro. Inspirada em “Les belle-soeurs”, do dramaturgo canadense Michel Tremblay, a montagem tem uma pegada política e feminista para falar e cantar sobre as mulheres de um modo geral, com seus sonhos e dissabores, desejos e medos, anseios e frustrações.

Na trama, Germana recebe um grupo de amigas para ajudá-la a colar um milhão de selos numa promoção que promete mobiliar a sua casa. Neste encontro, o que se vê são mulheres que trabalham, que cuidam de suas famílias, que têm seus direitos e deveres, acertam e erram… Enfim, mulheres de verdade, como outras quaisquer, que habitam qualquer lugar do mundo.

O projeto de montar “As Comadres” no Brasil, aliás, saiu do papel graças a mulheres. Depois de 30 anos trabalhando na companhia francesa Théâtre du Soleil, a atriz Juliana Carneiro da Cunha decidiu voltar ao teatro do Rio de Janeiro, mas sem abrir mão da bagagem acumulada no país europeu. Assim, ela convidou Ariane Mnouchkine – fundadora e líder do grupo desde 1964 – responsável por escolher o texto escrito por Tremblay, em 1965.

— A peça foi uma bomba política, no sentido positivo. Revolucionou o teatro e a situação das mulheres no Canadá. Tremblay escreveu um texto terrível e, no fundo, extremamente feminista — ressalta a francesa, que assina a supervisão artística, além de fazer parte da coordenação de produção.

Com dramaturgia canadense e equipe brasileira, o musical terá direção francesa. Ariane trouxe a versão musical do diretor René Richard Cyr, à qual promete ser fiel, assim como ao texto de Tremblay.

— Quando vi em Paris, chorei de rir e também chorei de verdade. Então, eu não tenho motivo para mexer nisso. Portanto, seguiremos uma espécie de livro-modelo, como (o dramaturgo, poeta e encenador alemão Bertolt) Brecht fazia com suas peças — explica.

Apesar da fidelidade à versão francesa, a montagem brasileira – uma das mais de 25 realizadas pelo mundo – terá uma peculiaridade. Será realizado um rodízio entre as 20 atrizes nos papéis, assim como é comum nos processos de criação do Théâtre du Soleil.

— Diferentes atrizes atuam diferentes personagens, guardando suas particularidades, sem qualquer tipo de hierarquização ou julgamento de valor. Ganham as atrizes que se multiplicam em cena, ganha o público que assiste a diversas versões de um mesmo espetáculo, ganha o teatro brasileiro que vê suas possibilidades ampliadas com a passagem de Ariane Mnouchkine pelos palcos do país — complementa Julia Carrera, tradutora do texto e uma das atrizes e produtoras do espetáculo.

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