‘Chuva’ inaugura Espaço Abu, em Copacabana, com peça focada na qualidade das atuações

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

32 anos, é doutor em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

O grupo Tabula Rasa inaugura, com a peça “Chuva”, o Espaço Abu, no coração da Zona Sul.

A sala compacta surge em excelente localização, em bairro que possui poucos espaços teatrais para suas proporções (geográficas e demográficas). É muito fácil de chegar, em plena Avenida Nossa Senhora de Copacabana, perto do Copacabana Palace, tem boa estrutura (tanto de palco/plateia quanto de camarins, banheiros, etc.), limitada apenas pelas suas dimensões. Talvez o maior problema para o espectador seja o tempo de espera entre a chegada no teatro e o início do espetáculo, pois o “hall” entre rua e plateia é muito pequeno; o grupo, contudo, libera antecipadamente o acesso ao teatro, o que ajuda demais.

A peça “Chuva”, por sua vez, vem lembrar o “teatro de ator”, como chamamos, tão ausente do circuito teatral carioca dos últimos anos. Com direção e adaptação de Felipe Vasconcelos, o espetáculo é composto a partir de cinco contos do escritor mineiro Luiz Vilela, que materializam-se em cinco cenas, relativamente curtas e que seguem uma estrutura muito interessante, de revelação paulatina do contexto e dos personagens, mas sem nunca revelar tudo. A dúvida paira no ar, à espera de ser sanada com a progressão de cada texto, que mescla tensão e humor de forma bem sutil.

A cenografia de Aurora dos Campos trabalha com o mínimo de poluição visual. Todos os elementos são pretos (salvo raras exceções) e desempenham um papel bem específico na interação com os atores.

Os figurinos, a cargo da companhia Tabula Rasa, seguem a mesma linha de neutralidade quase absoluta. Tirando, talvez, uma capa de chuva na segunda cena, todos se compõem de calça e camiseta pretas.

Os atores, por fim, são o foco primordial do espetáculo. São as nuances, e sobretudo as pausas, de Beatriz Castier, Ana Gawri, Carlos Emilio Jacuá e Felipe Vasconcelos que dotam de sentido e dinâmica as palavras de Luiz Vilela e a encenação como um todo. É sob a sua excelente e meticulosa condução que o espetáculo forma seu ritmo, e que cenário e figurino se organizam.

“Chuva” é programa obrigatório para quem quiser conferir o perfeccionismo no trabalho do ator e, claro, para quem quiser conhecer o mais novo espaço do bairro mais célebre do Rio de Janeiro.

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas e sugestões, envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.

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