‘Ato de amor’, avalia Cristina Fagundes sobre monólogo filmado para as filhas assistirem quando forem adultas

Luiz Maurício Monteiro

Cristina Fagundes entre as filhas Nina (E) e Bruna Fotos: Renato Mangolin/Divulgação

O teatro é um segmento de arte que tem como maiores mérito e encantamento o fato de se desenvolver ao vivo, em tempo real, frente aos olhos daqueles que o contemplam. Entretanto, como toda regra tem exceção, as pequenas Nina e Bruna, de cinco e três anos, respectivamente, poderão assistir a “Eu, Mãe”, solo em cartaz atualmente na Casa Rio, em Botafogo, quando forem adultas, já que a mãe delas, a atriz Cristina Fagundes, decidiu registrar em vídeo todas as apresentações para daqui uns bons anos, mostrar às filhas. Uma espécie de capsula do tempo!

A ideia de Cristina é pegar uma dessas gravações, que ela própria faz com um celular ao longo das sessões, e juntar com outras feitas por um cinegrafista profissional “de fora da cena”. Compiladas, estas imagens serão passadas às filhas quando elas tiverem cerca de 20 anos, como se fosse uma conversa entre passado e presente. A atriz quer que as meninas, que não terão tantas lembranças da mãe de hoje por serem muito novas ainda, a vejam jovem, ativa e no auge da saúde.

Em entrevista ao RIO ENCENA, a atriz conta que não interpreta uma personagem em cena, apenas compartilha com o público suas vivências e história em família. Um trabalho que ela avalia como uma demonstração do mais nobre dos sentimentos não só às filhas, mas também a toda família.

Nina (E) e Bruna, de cinco e três anos, com a mamãe Cristina

— Sou 100% eu ali. Eu de verdade! São as verdades que vivi, a minha história… Pouco antes da estreia, pensei: “estou botando todo o amor da minha família na mesa, contando minha verdade”. Tive essa percepção, mas fiz a escolha. É um ato de amor! Um ato de amor mostrar o quanto os amo — define Cristina, que pretende ainda voltar a assistir às gravações da peça com as filhas em outro momento: quando elas tiverem 43 anos, sua idade atual.

Ainda sobre a ideia do monólogo, a atriz lembra que, inicialmente, há cinco anos, iria escrever uma peça sobre maternidade para outros profissionais. Quando engravidou de Nina, porém, mudou de ideia e, tomada pela emoção, decidiu escrever para si e para as filhas. Mas, afinal, qual foi a reação das pequenas ao saberem que teriam um espetáculo de teatro produzido para elas?

— Quando contei, gravei com o celular. E na peça, eu passo esse áudio. O entendimento atual delas do que é a peça ainda é pequeno. No áudio, eu falo que a ideia é contar a nossa história. Aí a Nina pergunta “e qual é a história?”. Então, eu explico que tive ela e depois a irmã. Também falo que a estreia será em dois meses. E ela pergunta “quanto é dois meses?”. Elas já pediram para assistir, mas a peça é para adulto. E o entendimento é bem limitado ainda, mas muito bonitinho — derrete-se.

E se a reação das filhas ao saberem do projeto, como não poderia deixar de ser, foi espontânea, assim também foi com o marido Marcelo quando assistiu a uma sessão.

— Ele chorou quando assistiu, chegava a soluçar. E percebeu que era uma declaração de amor. Até porque falo bem dele na peça (risos) — brinca Cristina, receosa apenas com a reação da mãe, Hilda, que ainda não conferiu: — Ela vai desabar quando vier.

Falar sobre a mãe e o marido, aliás, serve como gancho para Cristina destacar que não se trata de um espetáculo somente sobre maternidade, mas também sobre situações do convívio familiar que podem causar identificação em qualquer espectador.

A ideia da atriz é mostrar as gravações da peça quando as filhas tiverem cerca de 20 ano de idade

— É uma peça que dialoga com a família em geral. Vai além da maternidade. Fala sobre a passagem de ciclos da vida, sobre cuidados com os pais depois de certo ponto da vida… A equipe se emocionou nos ensaios — recorda a atriz, completando: — Apesar de ser um solo autobiográfico, sempre tive a preocupação de falar com o público. Quando se perguntarem “o que tenho a ver com essa peça?”, que pensem que estão sentindo o tempo passar, que os pais estão envelhecendo, no amor pelo filhos…

Adaptação

Graças à estrutura da Casa Rio, “Eu, Mãe” se passa numa cozinha com tudo o que tem direito. Tal ambientação residencial, portanto, não seria possível num palco de teatro convencional. Ciente deste impasse, Cristina admite adaptações podem vir a ser feitas, mas adianta que o objetivo é seguir na casa em Botafogo.

— Teria que adaptar bastante (para levar para um palco). A peça foi pensada para ser apresentada na cozinha. Mas vou tentar ficar o máximo que puder por aqui. Talvez a gente estenda a temporada até outubro — finaliza Cristina, já planejando mais registros de amor por Nina e Bruna.

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