Vaias e aplausos a posições políticas marcam o 10º Prêmio Aptr; ‘Caranguejo Overdrive’ leva a melhor

Luiz Maurício Monteiro

A premiação teve 13 categorias e ofereceu a quantia de R$ 15 mil a cada vencedor Fotos: Luiz Maurício Monteiro

A premiação teve 13 categorias e ofereceu a quantia de R$ 15 mil a cada vencedor Fotos: Luiz Maurício Monteiro

O momento político turbulento pelo qual atravessa o Brasil se refletiu na cerimônia de entrega do 10º Prêmio Aptr (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro), realizada na noite desta terça-feira (22/03), no Centro Cultural João Nogueira, o Imperator, no Meier. O evento, que consagrou o drama “Caranguejo Overdrive” como maior vencedor entre os espetáculos de 2015 (três troféus), ficou marcado por vaias e aplausos que ecoaram da plateia – formada majoritariamente pela classe artística – em alguns momentos que tocaram no assunto política. O primeiro deles, aliás, foi motivado por quem provocou polêmica recentemente: Claudio Botelho.

No último sábado (19), durante apresentação de “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”, em Belo Horizonte, o ator e diretor fez uma improvisação em tom de crítica que teria sido direcionada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente Dilma Roussef. Ao ouvir o nome de Botelho ser mencionado no palco durante a cerimônia, boa parte dos presentes vaiou.

Pouco depois, ao ser anunciado como vencedor da categoria Melhor Ator, pelo musical “Kiss me Kate – O Beijo da Megera”, José Mayer mostrou-se descontente com a manifestação negativa direcionada ao colega de profissão e de espetáculo (Botelho é um dos responsáveis pela adaptação de Kiss me Kate):

– Achei feio a intolerância e as vaias ao Claudio Botelho. Acredito que política não deve ser feita com paixão, mas com compaixão – salientou Mayer, em meio a um misto de manifestações contrárias e favoráveis.

Em seguida, ao anunciar a vencedora como Melhor Atriz (Carolina Virgüez por “Caranguejo Overdrive”), o ator Charles Fricks disse que havia ocorrido um empate na categoria entre Carolina e “não vai ter golpe”. A brincadeira provocou uma rápida confusão em algumas pessoas quanto ao verdadeiro resultado e um pequeno desconforto na apresentadora, a atriz Julia Lemmertz que, ao lado do colega, o também ator Fernando Eiras, ironizou:

– Obrigado, Charles, pela sua adorável participação – disse, enquanto o público mais uma vez se dividia entre aplausos e vaias.

Homenagens e falhas

Além das manifestações políticas, o que também chamou atenção na festa foram algumas falhas na organização. Por exemplo, a ordem do anúncio dos indicados apresentada no telão não batia com aquela lida pelos convidados nos envelopes. Por certas vezes também alguns convidados não sabiam se saíam pela coxia ou se retornavam para seus assentos por uma escada no centro do palco.

Já em relação à premiação propriamente dita, que ofereceu a quantia de R$ 15 mil a cada vencedor das 13 categorias, a emoção foi forte, tanto pelo suspense em relação aos resultados, quanto às homenagens. Antes de mais nada, foram exibidas no telão imagens de artistas que faleceram em 2015, como Antônio Pompêo, Carlos Manga, Elias Gleizer, Carlos Miele, Yoná Magalhães e Marília Pêra, entre outros.

O autor Pedro Kosovski (E) e o diretor Marco André Nunes ajudaram "Caranguejo Overdrive" a ser o maior vencedor da noite

O autor Pedro Kosovski (E) e o diretor Marco André Nunes ajudaram “Caranguejo Overdrive” a ser o maior vencedor da noite

No entanto, o grande homenageado da noite foi Marco Nanini. Comemorando 50 anos de carreira, ele viu as colegas Renata Sorrah e Marieta Severo subirem ao palco para fazerem um pequeno resumo de sua trajetória. Em seguida, ele mesmo ficou diante do público para um curto discurso:

– Eu poderia ser destinado a qualquer profissão, que nada ia me trazer benefícios. Era inapto para tudo. Mas o teatro me chamou atenção. Estreei numa peça infantil, foi quando senti a emoção de assumir outra personalidade, de transmitir emoção também às pessoas. Nunca vou sentir essa primeira vez no palco novamente. É um privilégio ser parte dessa classe maravilhosa, de pessoas frágeis, graças a Deus! Não tenho mais nada a dizer. Quero só agradecer – ressaltou.

Da plateia, Nanini viu “Caranguejo” sair como o grande vencedor da noite – assim como já havia ocorrido no Prêmio Shell há uma semana – levando a melhor em três das seis categorias às quais foi indicado: Melhor Autor (Pedro Kosovski), Melhor Diretor (Marco André Nunes) e Melhor Atriz. Com quatro indicações, o drama “Krum” se destacou como Melhor Espetáculo e Melhor Iluminação (Nadja Naira). Já “Kiss me Kate”, que fora indicado oito vezes, levou apenas Melhor Ator para Mayer.

Confira abaixo os vencedores:

MÚSICA
Ney Lopes por “Bilac vê Estrelas”

ILUMINAÇÃO
Aurélio di Simoni por “Meu Saba”
Nadja Naira por “Krum”

FIGURINO
Antônio Guedes por “O Homossexual ou a Dificuldade de se Expressar”

CENOGRAFIA
Bia Junqueira por “Santa” e “A Santa Joana Dos Matadouros”

ESPECIAL
Aplicativo Teatro Brasil

ATOR COADJUVANTE
Rogério Fróes por “Família Lyons”

ATRIZ COADJUVANTE
Graciana Valladares por “Salina (A Última Vértebra)”

AUTOR
Pedro Kosovski por “Caranguejo Overdrive”

DIRETOR
Marco André Nunes por “Caranguejo Overdrive”

ATOR
José Mayer por “Kiss me Kate – O Beijo da Megera”

ATRIZ
Carolina Virguez por “Caranguejo Overdrive”

ESPETÁCULO
“Krum”

PRODUÇÃO
Barata Comunicação Ltda. e Estúpido Cupido Produções Artísticas Ltda. por “Estúpido Cupido”

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