Teatro Nelson Rodrigues reabre com temporada do clássico rodrigueano ‘Os Sete Gatinhos’

Do Rio Encena

Tonico Pereira (C) vive o patriarca Seu Noronha Foto: Dalton Valério/Divulgação

Após ser reinaugurado em agosto passado, após quatro anos fechado, com duas apresentações de uma companhia de balé, o Teatro Nelson Rodrigues, no Centro, reabre nesta semana para espetáculos teatrais. E a primeira peça a ocupar essa nova fase do tradicional palco é “Os Sete Gatinhos”, nova versão de um dos maiores clássicos do próprio Nelson Rodrigues (1912-1980). A temporada começa nesta quinta-feira (14), às 20h, e vai até 29 de outubro, com sessões também sextas, sábados e domingos. As entradas custam entre R$ 15 (meia) e R$ 40 (meia), dependendo do setor.

Com direção de Bruce Gomlevsky e um elenco encabeçado por Tonico Pereira, a montagem reconta uma história que está completando 60 anos em 2017. No bairro do Grajaú, subúrbio carioca, o casal Seu Noronha e D. Aracy vive com suas cinco filhas. De todas, Silene, a caçula de 16 anos, é a que recebe mais carinho e atenção, e por ser considerada a única “pura”, têm direito exclusivo a uma educação de qualidade num colégio interno.

Esse quadro, no entanto, sofre uma reviravolta depois que a menina é acusada, no colégio, de matar uma gata grávida – daí o título da obra. E é após esse fato, que ela acaba surpreendida com a seguinte descoberta: sua educação é bancada graças às irmãs que se prostituem.

A trama carrega elementos de tragédia grega, trazidos por Nelson para o Rio de Janeiro da primeira metade do século XX. Além disso, como era de praxe em seus textos, o autor acrescenta uma boa dose de erotismo aos personagens e traça um paralelo entre virgindade e prostituição, através da família que se rende ao capitalismo, prostituindo-se de olho no dinheiro, enquanto lembra da pureza da época em que as quatro filhas prostitutas ainda eram virgens.

“Os Sete Gatinhos” ganhou uma versão cinematográfica em 1980, com um elenco formado por nomes conhecidos como Antonio Fagundes, Lima Duarte, Ary Fontoura, Sura Berditchevsky e Thelma Reston.

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