Teatro do Jardim Botânico, antigo Tom Jobim, pode reabrir ainda em 2017; edital de licitação deve sair em agosto

Luiz Maurício Monteiro

O Teatro do Jardim Botânico foi inaugurado em 2008 Foto: Reprodução/ Facebook

Em tempos de crise e más notícias para o setor cultural do Rio de Janeiro, um alento pode estar a caminho. O teatro que fica situado dentro do parque natural do Jardim Botânico, fechado desde janeiro, tem chances de ser reaberto ainda em 2017, já que um edital de licitação para Concorrência Pública de Técnica e Preço está para ser lançado em meados de agosto, com resultado previsto para sair, possivelmente, até outubro. Somente o nome Tom Jobim, que batizava a sala desde sua fundação em 2008, pode não seguir sendo usado, já que fora iniciativa de Paulo Jobim, filho do maestro e antigo administrador do local.

O vencedor da licitação assinará um contrato de gestão do equipamento multiuso, um bem da esfera federal, com validade de cinco anos, podendo renovar por mais cinco. Segundo o JBRJ (Jardim Botânico do Rio de Janeiro), órgão que administra o parque, o perfil dos candidatos no processo serão especificados no edital, assim como os direitos e deveres que terá o vencedor ao longo do período em que estiver à frente do teatro. Certo é que a expertise na área de cultura será indispensável.

Ainda de acordo com o JBRJ, a antiga administração deveria ter entregado o teatro em maio deste ano, mas, por dificuldades para captação de recursos e manutenção, o fez em janeiro. O intervalo de cerca de seis meses – fevereiro a julho – para iniciar uma nova licitação estaria dentro do planejado.

Sobre a própria JBRJ gerir o teatro com capacidade total para 378 pessoas, Lídia Vales, Diretoria de Ambiente, Conhecimento e Tecnologia, explica porque esta não seria uma opção viável.

– O JBRJ é um instituto de pesquisa botânica e uma autarquia pública federal. O teatro não é uma unidade administrativa do Jardim , portanto não há uma dotação orçamentária para ele. Adicionalmente, a  administração desse equipamento requer profissionais de perfis  específicos e experiência que não há em nosso quadro – diz Lídia, ao RIO ENCENA.

Pedro gostaria de atuar na reabertura do teatro Foto: Reprodução/Instagram

Antes de finalizar o edital, no entanto, o JBRJ encontrou um saída provisória a fim de evitar uma maior deterioração do espaço. À procura de uma sala multiuso, a produção do espetáculo “O Inevitável Trem”, que já havia conseguido uma pauta no teatro antes do fechamento, conseguiu negociar a realização de uma curta temporada. Mas para isso, precisaram providenciar algumas melhorias, como pintar as paredes, limpar o chão (que já estava com lodo e limo), higienizar as cadeiras e instalar lâmpadas e outros equipamentos.

A propósito, Pedro Jones, autor e diretor da peça e grande entusiasta da reabertura do teatro, já se coloca como um possível candidato a ganhar a licitação.

– Com certeza. Acho que o teatro tem um potencial incrível. A gente precisa de locais para se apresentar e está vendo que as coisas não estão funcionando muito bem. Para manter um teatro aberto, eu ocuparia qualquer função, se fosse necessário. Estamos falando da educação das crianças, nossos filhos, nossos netos… Entraria de cabeça nessa – afirma.

Além de reabrir o antigo Tom Jobim, nem que fosse temporariamente, Pedro também desejava encenar o espetáculo naquele que considerava o palco ideal para sua proposta, que é proporcionar ao espectador uma vivência mais próxima em relação à cena.

– Desde que escrevi a peça, em 2014, pensava em fazer neste teatro, por ser multiuso. Conseguimos a pauta, o teatro fechou, mas depois conseguimos fazer a temporada aqui. Seria até mais fácil fazer em outro lugar, já pronto. Mas e o mote de reabrir um teatro? Isso, com certeza, nos moveu – reforça.

No entanto, a temporada de “O Inevitável Trem” vem encontrando obstáculos, o que aliás, pode servir para que os próximos administradores pensem em soluções. Com menos de 50% de ocupação a cada apresentação, a peça vem encontrando dificuldades para atrair público. Isso pode ser explicado por questões como o acesso, que não conta com uma iluminação das melhores no turno da noite, e a falta de estacionamento, já que as vagas mais próximas ficam a cerca de 400 metros do teatro.

Carla Nagel e Giuseppe Oristânio em cena de “O Inevitável Trem” Foto: Divulgação

– Estamos com uma média de 70 pessoas por sessão, com uma capacidade de 170. Precisamos de plateia. Não podemos deixar eles pensarem que estavam certos em fechar teatros. Seria um vexame! Estamos lutando com todas as ferramentas, mas é difícil – encerra Pedro.

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