Solo sobre João da Goméia, líder religioso que popularizou o Candomblé no Brasil, estreia no Terreiro Contemporâneo

Do Rio Encena

Átila Bezerra protagoniza o solo, além de assinar texto e direção Foto: Jon Thomaz/Divulgação

Os dados a respeito do número de adeptos do Candomblé no Brasil divergem absurdamente. O Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por exemplo, aponta 167 mil seguidores da religião de matriz africana em solo nacional. Já a Fenatrab (Federação Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira) fala em 70 milhões de brasileiros frequentadores de terreiros, direta (praticantes) ou indiretamente (clientes). Entretanto, números a parte, se a crença – que veio para cá junto com os escravos nos porões dos navios negreiros – resiste até hoje (e segue crescendo) muito deve-se a um de seus maiores entusiastas: Joãozinho da Goméia, cuja história será levada aos palcos.

O baiano Joãozinho da Goméia Foto: Reprodução/Internet

Com estreia marcada para a próxima sexta-feira (01/02), às 20h30, no Terreiro Contemporâneo, no Centro, “Joãozinho da Goméia – De filho do tempo a Rei do Candomblé” resgata a trajetória de João Alves de Torres Filho (1914-1971), baiano de Inhambupe, que conheceu o Candomblé em Salvador, mas veio a se tornar um dos mais relevantes babalorixás do país aqui no Rio de Janeiro, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Negro, homossexual, artista e amante do carnaval, João inspirou Átila Bezerra a montar o solo biográfico. Responsável por texto, direção e protagonismo no palco, o artista viu na personalidade forte do homenageado a oportunidade ideal para abordar determinados assuntos em tempos de evidente intolerância.

— Há dois anos, eu vinha fazendo a performance “Joãozinho”. O espetáculo começou a ser construído a partir deste trabalho, e não poderia nascer em momento mais oportuno. João da Goméia é uma personalidade que nos permite levar à cena discussões urgentes a cerca do racismo, homofobia e intolerância religiosa, num momento em que o país insiste em retroagir, principalmente no que diz respeito às questões de direitos humanos — acrescenta o idealizador do espetáculo, que segue em cartaz até 24/02, com sessões a preços populares (R$ 20) também sábados (20h30) e domingos (19h30).

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