Solo ‘Gisberta’ chama atenção para a transfobia em curta temporada no Teatro da UFF, em Niterói

Do Rio Encena

Lobianco conta parte da trajetória da personagem-título, uma transgênero Foto: Elisa Mendes/Divulgação

A história de uma brasileira transgênero assassinada brutalmente em Portugal, no ano de 2006, será contada mais uma vez nos palcos. Protagonizado por Luis Lobianco, o monólogo “Gisberta” inicia sua terceira temporada nessa sexta-feira (13), às 20h, no Teatro da UFF (Universidade Federal Fluminense), em Icaraí, Niterói. Mistura de política, história, música, teatro, humor, poesia e ficção, a peça discute os riscos derivados da transfobia e fica em cartaz somente até 29 deste mês.

Com texto de Rafael Souza-Ribeiro e direção de Renato Carrera, Lobianco relata boa parte da trajetória da personagem-título a partir de depoimentos de familiares da vítima, do processo judicial e de visitas ao local do óbito. E embora Gisberta tenha sido assassinada em Portugal, a preocupação maior para a classe trans está aqui mesmo no Brasil.

Segundo pesquisa realizada pela ONG (organização não governamental) Transgender Europe (TGEU), é aqui onde mais se mata transexuais e travestis. De um total de 295 casos de assassinatos de pessoas trans ao redor do mundo em 2015, uma fatia de 42% aconteceu no Brasil.

Depois de ver amigas trans morrendo em São Paulo, sua cidade natal, Gisberta decidiu deixar o Brasil rumo a Paris em 1979, aos 18 anos. Anos mais tarde, já após o tratamento hormonal e o implante de silicone, se mudou para Porto, onde começou a trabalhar em bares e boates, e viveu uma vida intensa, com direito a uso de drogas.

Sua situação piorou depois que testemunhou o atropelamento de seus dois cães de estimação. A partir daí, ela, que já era portadora do vírus HIV, mergulhou numa forte depressão, passou a definhar e acabou perdendo o visto de imigrante. Depois, virou moradora de rua, até ser encontrada num prédio abandonado por um grupo de jovens. No início, eles até a ajudaram, mas em seguida, deram início a uma série de maus tratos e torturas, até a jogarem, ainda com vida, num poço cheio d’água. A conclusão do processo foi morte por afogamento.

Após este caso, cresceram em Portugal as discussões sobre a transfobia, e Gisberta se tornou ícone na luta pelo fim dos crimes de ódio contra gays, lésbicas e transexuais. Já em 2016, dez anos após sua morte, seu nome foi dado ao primeiro centro de apoio à população LGBT do norte português, “Centro Gis”, em Matosinhos, distrito do Porto.

PUBLICIDADE