Sobre ética na política e corrupção, ‘O Inspetor Geral’ faz curtíssima temporada no Teatro Glauce Rocha

Do Rio Encena

O espetáculo é um projeto da Damões Cia de Teatro Foto: Paulo Borges/Divulgação

O texto de “O Inspetor Geral” foi escrito em 1839, ou seja há quase 180 anos, mas isso não quer dizer que tenha deixado de ser contemporâneo. Uma sátira a esquemas de corrupção e ética na política, a obra do dramaturgo russo (1809-1852) está tão em voga que ganha uma nova montagem, da Damões Cia.de Teatro, em cartaz no Teatro Glauce Rocha, no Centro, para uma curtíssima temporada a partir da próxima sexta-feira (20), às 19h. Daí em diante, serão apenas mais seis apresentações, no mesmo horário, até o próximo dia 28.

Com direção e adaptação de Eliza Pragana, a peça se passa numa pequena cidade russa à espera de um inspetor do governo federal. Sua visita desencadeia desespero entre o prefeito e os gestores públicos, que pensam em encobrir seus esquemas de corrupção, além de manter a passividade da população frente às falcatruas cometidas por eles. Embora retrate uma história que se passa em tempos remotos, a comédia, claro, representa também o atual cenário brasileiro, sobre a corrupção e descaso com as utilidades públicas, o que, inevitavelmente, leva a plateia a uma reflexão sobre ética não apenas na política, como também entre os próprios cidadãos.

Esta, porém, não é a primeira vez que “O Inspetor Geral” é montado em palcos brasileiros. Em 1966, em plena ditadura militar, Augusto Boal e Gianfrancesco Guaranieri encenaram a trama no subversivo Teatro de Arena, em São Paulo.