SMC nega ‘compromisso verbal’ com a Aptr e explica falta de patrocínio à campanha Teatro Para Todos

Do Rio Encena

(Divulgação)

Um dia após a Aptr (Associação dos Produtores de Teatro do Rio) confirmar o cancelamento da campanha Teatro Para Todos em 2017, a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) enviou nesta sexta-feira (24) uma nota oficial ao RIO ENCENA, dando sua versão do caso. O texto diz que, ao contrário do que a associação afirmou em seu pronunciamento, não houve um “compromisso verbal” para um repasse de verba. O órgão da prefeitura garante que, numa reunião em 22 de agosto, havia deixado claro que não poderia patrocinar a ação neste ano.

Segundo a SMC, o encontro aconteceu para que a Aptr entregasse a Nilcemar Nogueira, secretária de cultura, uma placa em agradecimento pelo patrocínio ao Prêmio Aptr 2017, realizado em abril. O incentivo teria se dado através de verba e cessão gratuita do Centro Cultural Municipal João Nogueira, o Imperator, no Méier.

Como justificativa para não apoiar a campanha pela primeira vez após sete anos, a SMC cita a atual crise, à qual se refere como “um novo cenário econômico na cidade e no país, que impõe a necessidade de um novo modelo para as produções culturais”. No entanto, o órgão diz reconhecer a importância do teatro para a cultura carioca, citando, inclusive, o patrocínio à premiação deste ano e também os 64 equipamentos culturais atualmente sob sua gestão, como o próprio Imperator.

Parte do calendário teatral carioca desde 2003, a Teatro Para Todos beneficia tanto o público, principalmente o menos favorecido economicamente, quanto a classe artística. A campanha oferece ao espectador a oportunidade de assistir a espetáculos – inclusive superproduções, cujos ingressos chegam aos três dígitos – por valores promocionais, na maioria das vezes até abaixo da meia-entrada. E por ser realizada sempre no fim o ano, a campanha é importante também por estimular a ida do público ao teatro nos meses de novembro e dezembro, quando as peças costumam ter plateias esvaziadas devido às festas e viagens comuns no período.

Na edição de 2016, a sétima com incentivo financeiro da prefeitura, a campanha disponibilizou mais de 45 mil bilhetes entre R$ 5 e R$ 40 para cerca de 40 espetáculos participantes.

NOTA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA

A Secretaria Municipal de Cultura possui uma rede com 64 equipamentos culturais próprios, uma das maiores do Brasil. Apesar do momento de austeridade, a secretaria manteve a oferta de atividades culturais de qualidade em todos eles, alcançando um recorde de público. De janeiro a outubro deste ano, 6.353.555 espectadores passaram pelos equipamentos, uma frequência 3,2% maior do que no mesmo período de 2016. Em um cenário no qual teatros foram abatidos pela crise e fecharam as portas, a SMC reabriu o Teatro Municipal Maria Clara Machado (que estava fechado há quase um ano) e transformou a Sala Eletroacústica da Cidade das Artes em um pequeno teatro de arena.

A SMC reconhece a importância do teatro para a cultura da cidade, tanto que patrocinou a edição 2017 do Prêmio APTR, com dinheiro e a cessão gratuita do Centro Cultural Municipal João Nogueira – Imperator, onde, em abril, aconteceu a premiação.

Em 22 de agosto último, a diretoria da APTR foi recebida pela secretária municipal de cultura, Nilcemar Nogueira, em seu gabinete. Na ocasião, ao entregar uma placa de agradecimento à secretária (pelo patrocínio ao Prêmio APTR), foi dito claramente à diretoria da associação que este ano não seria possível patrocinar o projeto “Teatro para todos”. Portanto, diferente do que afirma o comunicado da APTR, não houve nenhum tipo de compromisso verbal da SMC em relação ao projeto.

Quanto à equivocada afirmação de não pagamento de editais, a SMC informa que os editais lançados por esta gestão estão com os pagamentos rigorosamente em dia. A SMC não assumiu nenhum compromisso que não pudesse honrar e que não estivesse ancorado em seu orçamento.

Há um novo cenário econômico na cidade e no país, que impõe a necessidade de um novo modelo para as produções culturais. O estado brasileiro precisa garantir acessibilidade cultural dentro de seu próprio planejamento e de suas políticas culturais. E isto estamos fazendo, haja visto a oferta cultural em nossos próprios equipamentos, beneficiando milhões de espectadores na cidade – que tiveram acesso a produções diversas, muitas delas gratuitas – e movimentando a cadeia produtiva do teatro e do mercado cultural do Rio de Janeiro.