‘Se fiscalizar todos os teatros do estado, vai ter que fechar tudo’, afirma Leandro Monteiro, secretário de cultura

Do Rio Encena

O secretário (D) com Augusto Rodrigues, presidente do Centro da Memória da Eletricidade Foto: Guilherme Maia/SEC

“Se for fiscalizar todos os teatros do estado, vai ter que fechar tudo”. A declaração é de Leandro Monteiro, titular da Secretária Estadual de Cultura (SEC), em entrevista publicada nesta segunda-feira (21) na coluna da jornalista Marina Caruso, no site do jornal O Globo. À frente da pasta de novembro de 2017 – quando substituiu André Lazaroni, atualmente no comando da Comissão de Ética da Alerj – ele reconhece a atual situação de calamidade das salas teatrais que estão sob responsabilidade do governo estadual.

Inclusive, todos os nove teatros do Rio de Janeiro geridos pela SEC estão há praticamente dois anos sem autorização para funcionar. Os equipamentos não contam com o Certificado do Registro, documento emitido pelo Corpo de Bombeiros anualmente para garantia de segurança contra incêndios. Enquanto não consegue a regularização definitiva, Leandro, que é tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, recorre a paliativos.

— Artistas me disseram que o aluguel de um teatro no Shopping da Gávea custa R$ 50 mil. Fiquei chocado. Quero parcerias: cedo o teatro, e eles equipam. Recarregamos os extintores, nos adequamos aos projetos anteriores aprovados e, para cada evento, pedimos autorização provisória. Quando há necessidade, o comandante manda uma brigada para nos ajudar. Se for fiscalizar todos os teatros do estado, vai ter que fechar tudo — disse Leandro, de 39 anos e nascido na Pavuna, à publicação.

Além da questão da regularização com os Bombeiros, o secretário pensa também em melhorias de uma forma geral para os teatros. No João Caetano, na Praça Tirandentes, providenciou a troca do forro e uma reforma no telhado. Já o Villa-Lobos, em Copacabana, fechado desde 2011 após um incêndio e atualmente em estado de completo abandono, Leandro promete lançar um edital para cessão até o fim do mês. A ideia é conseguir um gestor no modelo naming rights ou então, como plano B, a ocupação por parte dos próprios artistas.

Sobre a Zona Sul, aliás, Leandro acredita que a resistência que enfrenta na condição de titular da pasta de cultura, justamente por não ser da área, vem de lá. Na opinião dele, que recentemente reabriu a Biblioteca Parque Estadual, artistas de Copacabana, Ipanema, Leblon e adjacências representariam uma falta de apoio concentrada e, não, generalizada.

Com uma atenção maior direcionada para outras áreas, Leandro afirmou que “é fácil falar de cultura do Rebouças para lá”. Ele relembrou que a SEC reabriu o Afroreggae, em Vigário Geral, e que quando lançou editais para ocupação de teatros da Zona Oeste, a procura foi pequena. Por falar nesta região, o secretário afirmou que conseguiu com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) a quantia de R$ 1,5 milhão para reabrir o Teatro Mário Lago, na Vila Kenedy – os teatros Arthur Azevedo (Campo Grande) e Armando Gonzaga (Marechal Hermes) também estão com melhorias previstas.

Apesar das críticas porém, ele descarta retaliações com o pessoal da Zona Sul.

— Não abandonei a Zona Sul, mas estou partindo para as áreas conflagradas, o investimento tem que estar aí. As pessoas que moram no Leblon têm condições de investir em seus filhos. A lógica é: primeiro, apagamos o incêndio; depois, fazemos a prevenção. Zona Sul é manutenção.

Por falar em investimento, o secretário falou também na entrevista a O Globo que pretende pedir ao próprio Larazoni um orçamento maior para a posta de Cultura visando ao ano de 2019.

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