‘Rose’ é uma boa discussão ética

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

31 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

Em cartaz Teatro Sesi, no Centro, “Rose” narra a atitude de uma funcionária de escola pública de completar a merenda com parte das compras e com o que sobra da casa rica onde trabalha como doméstica. A discussão ética é o cerne da montagem, e dá pano para manga, pois o texto não se resume a uma visão; apresenta os dois lados do problema, e ainda que em algum momento tenda para a visão da funcionária, isto não se transforma em panfleto e a reflexão não perde a força.

O cenário é composto por inúmeras cadeiras escolares infantis dispostas em filas que se alongam por todo o palco. Não gostei muito, pois não molda as cenas. Mas nada que prejudique o espetáculo também; é só uma questão de gosto.

Os figurinos são bem característicos das funções sociais de cada um dos personagens. São bons, ainda que distingam pouco o maior hiato social da peça, patroa e empregada.

Os atores estão bem, comprando bem a ideia de uma atuação quase romântica, calcada em exaltações. Fica ótimo, pois realça os pontos destacados pelo texto, além de ficar engraçado em vários momentos.

A direção de Vinícius Arneiro concentra toda a estética em contar a história, o que transforma o espetáculo numa grande e contundente discussão ética, onde os dois lados são mostrados com igual teor, ainda que um deles acabe sendo aclamado como moralmente mais nobre no final da peça.

Por fim, finalmente temos, no Rio de Janeiro, um exemplar de discussão política, ética, para além da panfletagem. Ainda que existam momentos em que a parcialidade se instale, eles são inseridos no interior de um espetáculo dedicado a esta natureza de reflexão, o que a torna exatamente o que ela é: uma opinião. A peça vai muita além dela.

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para periclesvanzella@rioencena.com.br.

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