‘rINOCERONTEs’ reestreia no Dulcina falando de manipulação da informação e discursos de ódio

Do Rio Encena

O espetáculo é baseado na obra de Eugène Ionesco Foto: Maíra Barillo/Divulgação

O Coletivo Errante está de volta aos palcos com o premiado espetáculo “rINOCERONTEs”. Baseada na obra do dramaturgo absurdista romeno Eugène Ionesco (1909-1994), a montagem reestreia nessa quarta-feira (03), às 19h, no Teatro Dulcina, no Centro, tratando de temas como manipulação da informação, discursos de ódio e despersonalização. A temporada vai somente até 03 de junho, com apresentações também de quinta a domingo, no mesmo horário, e ingressos a partir de R$ 10 (meia).

Dividida em três atos, a peça aborda tais assuntos a partir de um acontecimento inusitado, ou melhor, absurdo. Sob direção de Luiza Rangel, o elenco formado por oito atores investiga corpo, transformação, imagem, monstruosidade e absurdo para encenar a invasão de um rinoceronte a uma cidade, o que desencadeia bizarras transformações que fazem seres humanos virarem bichos selvagens.

Segundo relatos, Ionesco escreveu o texto depois que muitos de seus amigos passaram a apoiar movimentos fascistas. E embora seja dos anos 60, Luiza Rangel acredita que a obra siga atual para tratar de temas comuns às duas épocas.

–Não é na passagem do rinoceronte pela cidade, ou mesmo na metamorfose, que reside o absurdo. É na desumanização devastadora que se revela na construção da cena e na evolução do espetáculo — explica Luiza, completando: — Mergulhamos no Ionesco observando as imposições invisíveis de controle, a intensa massificação, a guerra de informações e a priorização do objeto em detrimento do humano. O desejo, nesta montagem, é despertar reflexões sobre regimes de relação e de convívio.

Nascido dentro do curso de Direção Teatral da UFRJ, “rINOCERONTEs” tem no currículo um total de seis prêmios. No Festival Internacional de Teatro de Blumenau (FITUB), venceu como Espetáculo, Direção, Ator (André Locatelli e Davi Palmeira) e Desenho Sonoro. Já no Prêmio Yan Michalski (Questão de Crítica), faturou as categorias Ator (Davi Palmeira) e Especial (Arte Sonora).

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