Releitura ‘leva’ Robinson Crusoé de volta à ilha em curta temporada no Sesc Tijuca

Do Rio Encena

Helder Agostini e Hugo Camizão interpretam Robinson e Sexta-feira Foto: Matheus Meira/Divulgação

Há 40 anos, o argentino Julio Cortázar (1914-1984) lançava “Adeus, Robinson”, uma releitura de “As Aventuras de Robinson Crusoé” (1719), clássico do inglês Daniel Dafoe (1660-1731) que contava as aventuras de um homem isolado numa ilha deserta. Agora, o texto do autor portenho, que propõe o retorno do protagonista ao mesmo local 30 anos após seu resgate, ganha uma versão teatral pelas mãos do diretor Diogo Villa Maior, com estreia marcada para essa sexta-feira (09), às 19h, no Sesc Tijuca.

Com Helder Agostini no papel principal e Hugo Camizão como Sexta-feira, o canibal que foi civilizado e transformado em criado, o espetáculo mostra Crusoé retornando à ilha, porém sem reconhecê-la como outrora. Agora, trata-se de um lugar urbanizado e superpovoado.

Como se não bastasse tal surpresa, Robinson ainda constata que as pessoas que agora lá vivem, embora estejam aos milhões, parecem mais sozinhas do que ele próprio décadas atrás, quando a ilha era deserta e, aparentemente, mais tranquila, já que ele acaba impedido de circular por questões de segurança.

– Encontramos uma forma de reforçar a angústia e o sufoco que Robinson sente por estar o tempo inteiro em lugares fechados, vendo o mundo só pela janela, impedido de andar pelas ruas – explica Villa Maior, que no cenário, utiliza apenas cinco malas e projeções para reproduzir a ilha.

Esta é a segunda vez que o diretor trabalha com uma dramaturgia de Cortázar. A primeira foi em 2015, com “Cronópio: as aventuras de um herói desajustado”, uma adaptação infanto-juvenil do clássico “Histórias de Cronópios e de Famas”.

– Cortázar é viciante. Seus diálogos diretos e cortantes ironizam a falência do mundo contemporâneo – encerra o diretor.