‘Puro Ney’, musical em tributo a Ney Matogrosso, estreia na Gávea, e diretor revela se cantor deu pitaco na produção

Luiz Maurício Monteiro

Ney Matogrosso posa ao lado de Marcos Sacramento e Soraya Ravenle, que cantam suas músicas no espetáculo

O espetáculo “Puro Ney”, um tributo a Ney Matogrosso, estreia nessa terça-feira (22), às 20h30, no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, levando ao palco os cantores Marcos Sacramento e Soraya Ravenle, um trio de músicos e o próprio homenageado. Mas calma! O intérprete de “Homem com H” e “O Vira” – duas das 24 canções selecionadas para o repertório – não estará de corpo presente, mas, sim, através de imagens gravadas especialmente para a peça e projetadas no cenário. Aliás, essa foi a única participação de Ney, que, segundo o diretor Luís Filipe de Lima, não deu nenhum pitaco na produção.

– Nenhum. Ney foi muito generoso. Concordou em participar de filmagens para o material projetado em nosso videocenário, fotos para a divulgação do espetáculo, colocou à disposição seu acervo pessoal de imagens, figurinos, documentos, mas não fez qualquer restrição, não impôs nada – garante Luís, que também assina roteiro, arranjos e direção musical, em entrevista ao RIO ENCENA.

No entanto, por mais que enriqueçam a encenação, as imagens exclusivas de Ney projetadas são apenas mais um elemento. O foco é mesmo o repertório, que, diga-se, não deve ter sido nada fácil de ser selecionado. Em 40 anos de carreira, o artista sul-mato-grossense, de 76, gravou centenas de músicas em 37 discos. E para tão complexa tarefa, a solução encontrada por Luís foi criteriosa e prática: incluir aquelas feitas especialmente para Ney ou lançadas em primeira mão por ele.

O diretor Luís Filipe de Lima entre os intérpretes Marcos e Soraya Fotos: Leo Aversa/Divulgação

– Todas trazem a assinatura marcante de Ney, ou seja, lembramos delas na sua voz, e não na voz de qualquer outro. Daí o título do espetáculo. Assim, acabei deixando de fora, por exemplo, os sambas de Cartola que Ney gravou, ou canções de Villa-Lobos, como “Melodia Sentimental” – relembra Luís, reforçando que não se trata de uma peça biográfica: – O interesse de “Puro Ney” recai totalmente sobre o artista Ney Matogrosso. Por isso, nos afastamos do modelo de musical biográfico, fazendo com que as canções de seu repertório sejam o fio condutor do espetáculo.

Ainda sobre as canções, elas foram divididas em cinco blocos temáticos,com cada um representando distintos elementos e passagens do cantor, como explica Luís.

– O primeiro bloco traz canções que revelam a identidade artística dele, marcada pela transgressão e originalidade. No segundo, canções sobre latinidade, outra marca importante de sua trajetória. O terceiro é um convite à reflexão, pelo viés existencialista e pela crítica social. No quarto, uma pequena homenagem à Carmen Miranda, gravada por Ney e também sempre revisitada por nossos intérpretes Marcos e Soraya. E o último bloco, o mais quente, reúne canções sobre amor e sexo – encerra.