Prêmio Shell: ‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’ fatura três categorias e sai como grande vencedor da 30ª edição

Luiz Maurício Monteiro

Todos os vencedores da noite com suas esculturas Fotos: Luiz Maurício Monteiro

Exatos 50%. Este foi o aproveitamento de “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”, que chegou à 30ª edição do Prêmio Shell com seis indicações e venceu três. Na cerimônia realizada na noite desta terça-feira (13), no Copacabana Palace – que não celebrou como o imaginado a marca da premiação mais longeva do teatro carioca – a montagem da Cia. Barca dos Corações Partidos se destacou dentre aquelas que estrearam no Rio de Janeiro em 2017 ao ganhar como Melhor Música (Chico César, Beto Lemos e Alfredo del Penho), Autor (Bráulio Tavares) e Figurino (Kika Lopes e Heloísa Stockler).

Em seguida, ficou “Tom na Fazenda”, que levou Melhor Ator (Gustavo Vaz) e Diretor (Rodrigo Portella). Ao todo, foram nove categorias, e cada vencedor levou para casa o prêmio em dinheiro de R$ 8 mil, além de uma escultura de metal em forma de uma concha dourada – símbolo da organizadora do evento – elaborada pelo artista plástico Domenico Calabroni.

Com seu prêmio em mãos, o autor Bráulio Tavares, um dos representantes da peça mais premiada da noite, usou seu discurso para traçar um paralelo bem humorado entre a sua principal área de atuação, a literatura, e aquela que acabara de premiá-lo, o teatro.

Além das esculturas de metal,cada ganhador faturou a quantia de R$ 8 mil

— Não sou do teatro, sou da literatura. Ás vezes, acabo no teatro a convite de amigos. Mas a literatura é solitária, pois é na madrugada, quando todos dormem, que você escreve a melhor página da sua vida. E aí não tem com quem comemorar. Já no teatro, existe essa comemoração 100% íntima. É muito bonito quando se escreve para teatro porque a palavra é viva, vem do pulmão. Que o pessoal da literatura não me escute, mas falta essa palavra viva no nosso mundo. Parecemos pessoas solitárias tirando selfie das próprias pernas. Isso aqui é teatro — bradou.

Já Yara de Novaes, ao receber o prêmio, disse em seu discurso que não esperava ganhar como Melhor Atriz por “Love, Love, Love”.  Em seguida, ela explicou sua surpresa em entrevista ao RIO ENCENA.

Yara de Novaes foi a vencedora da categoria Melhor Atriz por sua atuação em “Love, Love, Love”

— Acho uma distinção grande demais. Não que não tenha noção do que faço, mas para mim, é muito difícil estar aqui agradecendo como se, de fato, meu trabalho estivesse num lugar distinto dos outros. Sempre me preparo para não ganhar, porque acho que somos feitos do mesmo barro. E aí me constrange um pouco estar aqui. Mas fiquei muito feliz — admitiu a atriz mineira, que já havia vencido aqui os prêmios Questão de Crítica e Aptr (Associação dos Produtores de teatro do Rio).

Após todos os prêmios serem entregues, chegou a vez do homenageado da noite, que diferente do habitual, não se foi um ator ou atriz. Ao ser anunciado, o cenógrafo Hélio Eichbauer foi aplaudido de pé por todos pelos mais de 50 anos de serviços prestados ao teatro. Ele, inclusive, ganhou o Prêmio Shell de Cenário em 1994 pelo espetáculo “O Anjo Negro”.

Hélio, aliás, não foi o único vencedor do Shell de anos anteriores a ser citado. Anunciada como uma cerimônia “especial” por “prometer relembrar momentos marcantes da história do prêmio”, a festa desta terça pouco voltou nos últimos 30 anos. Além da menção a grandes artistas que ganharam a concha dourada nas edições passadas, apenas o discurso inicial de praxe de um representante da Shell exaltou a trajetória que começou em 1988.

Nelson Freitas e Alice Borges apresentaram a cerimônia como personagens de “O rei da Vela”, de Oswald de Andrade

Além disso, o evento, meio corrido até certo ponto, não promoveu o tradicional tributo aos artistas falecidos recentemente. Em contrapartida, outro ponto positivo – fora a homenagem a um cenógrafo –  foi a escalação da dupla de apresentadores. Muito ligados à comédia, Alice Borges e Nelson Freitas comandaram a festa, não como si próprios, mas, sim, caracterizados como Dona Poloca e Abelardo I, personagens caricatos de “O Rei da Vela” (1937), de Oswald de Andrade (1890-1954). Apesar de alguns desencontros na apresentação, os dois se saíram bem na hora de divertir os convidados, além, é claro,de anunciar os vencedores, todos listados abaixo:

Melhor Música
Chico César, Beto Lemos e Alfredo del Penho por “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”

Melhor Iluminação
Paulo César Medeiros por “O Jornal”

Melhor Figurino
Kika Lopes e Heloísa Stockler por “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”

Melhor Cenário
Carla Berri e Paulo de Morais por “Hamlet”

Inovação
Espetáculo “Tripas” pela forma de realização entre a universidade, através dos programas de pós-graduação, e a produção teatral.

Melhor Autor
Bráulio Tavares por “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”

Melhor Direção
Rodrigo Portella por “Tom na Fazenda”

Melhor Ator
Gustavo Vaz por “Tom na Fazenda”

Melhor Atriz
Yara de Novaes “Love, Love, Love”

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