‘Podemos sair presos’, brinca Felipe Torres sobre versão teatral de Hermes e Renato em cartaz na Barra e na Gávea

Luiz Maurício Monteiro

Felipe Torres (C) interpreta o personagem Boça no programa humorístico Fotos: Divulgação

Quem acompanha “Hermes e Renato” há anos pela TV e crê que já viu os comediantes chegarem ao ápice do deboche e do humor escrachado pode se surpreender com “Uma Tentativa de Show”, versão teatral do programa que está no Rio de Janeiro pela primeira vez e em jornada dupla. A comédia fica em cartaz até o final de maio no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca, sextas e sábados às 23h; e no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, sábados às 18h30. E tanto num palco como no outro, a promessa é de ir um pouco mais longe na acidez das piadas.

–  O teatro dá essa liberdade de poder falar o que quiser. Inclusive, podemos sair presos se falarmos muita m… (risos) – brinca Felipe Torres, intérprete do personagem Boça, em entrevista ao RIO ENCENA.

Com cerca de 500 mil inscritos no canal do Youtube, 64 mil seguidores no Instagram e 600 mil curtidas no Facebook, “Hermes e Renato” tem longa estrada na TV. Somando passagens pela MTV – onde estreou em 1999 -, pela Record e pelo canal por assinatura FX, da Fox, são aproximadamente 15 anos com personagens, além do Boça, como o Palhaço Gozo, o Joselito e a banda de rock Massacration.

Em contrapartida, a experiência no teatro ainda é curta, o que até causa uma ponta de arrependimento nos humoristas por não terem embarcado nessa empreitada anos antes. “Uma Tentativa de Show” chega ao Rio depois de estrear em São Paulo no festival de comédia Risadaria e de realizar nove sessões no Teatro Renaissance, também na capital paulista. Agora em solo carioca, até pelos dados das redes sociais citados acima, a expectativa da trupe é das melhores, como Felipe explica na entrevista na íntegra abaixo:

Vocês são um grupo conhecido nacionalmente, até pelos trabalhos na TV, mas muito identificado com São Paulo. Que feedback vocês esperam aqui no Rio de Janeiro?
Muito pelas redes sociais, nós acabamos conhecendo nosso público. E com base em números, o Rio é um dos lugares onde temos mais fãs. Acho que por mais identificado que sejamos com São Paulo, por morarmos e trabalharmos lá, nosso humor é para todo o Brasil. E uma percepção minha é que também somos do Rio, porque nossos personagens têm referências daqui. Desde o funk do Joselito, o Hermes e o Renato, que são dois malandros cariocas dos anos 70… A expectativa é das melhores.

A comédia fica em cartaz até o fim de maio nos teatros das Artes e dos Grandes Atores

Sem considerar as diferenças óbvias entre TV e teatro, como tem sido levar para o palco o humor que vocês estão super acostumados a fazer em estúdios?
Ao vivo, a experiência é interessante pelo feedback ao vivo,ali na hora, das piadas. Isso era até uma coisa que eu tinha um pouco de vergonha alheia, de certas peças, porque pensava: “Se for um fiasco, você vai sentir na pele na mesma hora”. Mas quando começamos a fazer, pensei que deveríamos ter feito há mais tempo, porque Hermes e Renato tem muito a ver com teatro. É dinâmico,tem a coisa de estar sempre em movimento, e a gente também se envolve com toda a produção. Sem contar que nosso humor é muito teatral.

No teatro vocês têm uma liberdade maior para serem, digamos, mais politicamente incorretos?
O teatro dá essa liberdade de poder falar o que quiser. Inclusive, podemos sair presos se falarmos muita m… (risos). Mas fazemos uma peça bem livre, estamos bem tranqüilos, com liberdade total.

Pode adiantar alguma coisa mais pesada que vocês só podem fazer num palco de teatro?
Tem nudez (risos).

No material de divulgação do projeto, vocês falam que fizeram uma “consulta” a William Shakespeare num terreiro de mandinga. Tem mesmo alguma referência ao autor no meio de “Hermes e Renato” ou era só brincadeira?
Shakespeare, não. Mas fazemos referências aristotélicas (relativo ao filósofo grego Aristóteles), dionisíacas (a Dionísio, deus da mitologia grega). São muitas, inclusive emulando os bacanais.

E esse horário de 23h no Teatro dos Grandes Atores preocupa em relação ao público?
Não sei como é no Rio essa coisa de horário. De fato, tivemos uma preocupação, mas encaramos como uma oportunidade e que valia a pena testar. Talvez não seja um horário de costume por aqui, mas em São Paulo, o Sérgio Mallandro se apresentava nesse horário. O grupo Comédia ao Vivo também.  Lá esse horário é comum. Quem sabe a gente não faz ser comum aqui também?

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