‘Pippin’ vai bem com cenário e figurinos, mas tem ritmo quebrado por números musicais

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

31 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

Em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, “Pippin” tem uma história pregressa que chama a atenção: estreou na Broadway em 1972 quebrando barreiras e promovendo uma revolução na linguagem dos musicais. No Brasil, teve sua estreia em 1974, protagonizada por Marília Pêra e Marco Nanini, e agora volta aos palcos em montagem da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, que infelizmente não traz nenhuma novidade em relação ao ambiente musical da cidade, além de ter seu ritmo comprometido pelo excesso de números musicais que entrecortam a narrativa.

Esta, por sua vez, gira em torno da jornada do príncipe Pippin, filho e herdeiro do trono do rei Carlos Magno. Pippin, que atravessa um período de questionamento sobre o sentido da vida, busca o autoconhecimento e o amadurecimento rumo à fase adulta, e neste processo ouve conselhos de todos, incluindo seu pai, sua madrasta e sua avó.

O cenário de Rogério Falcão e os figurinos de Luciana Buarque fazem bonito na caracterização de um mundo que fica entre o medieval, o renascentista e o “faz de conta”. Vemos os três elementos se misturarem em um quadro harmônico, que agrada aos olhos e contribui para uma estética que se quer múltipla. Foram para mim, sem dúvida, o ponto alto do espetáculo.

Os números musicais têm um cuidado especial, como é marca registrada da dupla. E aí estão inclusas as versões brasileiras de Claudio Botelho, a direção musical de Jules Vandystadt e as coreografias de Alonso Barros. Como também é comum nos espetáculos Möeller & Botelho, na mesma proporção em que os números musicais se elevam em importância, as cenas tornam-se simples ligações entre estes números, e aí a fruição da narrativa fica completamente comprometida, assim como o relevo dos personagens.

Neste sentido, fica difícil analisar os atores, uma vez que os personagens têm mínima interação. A única exceção é a Mestra de Cerimônias (vivida por Totia Meireles), cujo papel independe da relação com outros. Além de Totia, merecem destaque Adriana Garambone e Cristiana Pompeo, que realmente conseguem tirar o máximo da estética.

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.

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