Partiu teatro em Angra dos Reis? Depois de hiato em 2017, idealizador da Fita garante edição de 2018: ‘Vai acontecer’

Luiz Maurício Monteiro

A estrutura com duas grandes tendas montadas na Praia do Anil será mantida Fotos: Acervo Fita/Thyago Andrade

A crise econômica do Estado do Rio de Janeiro, como se sabe, não perdoou o setor da cultura, e com Angra dos Reis, não foi diferente. Entretanto, mesmo com a recessão longe de um fim, a Fita, a festa internacional de teatro do município da Costa Verde, estará de volta em 2018 para a 13ª edição, após o hiato de 2017. Quem garante é João Carlos Rabello, curador e idealizador do evento realizado pela primeira vez em 2004. Agora, falta só definir as datas.

— Será em setembro ou outubro. Só vou poder cravar as datas no fim de maio. Mas vai acontecer, sim. A gente já recompôs 80% dos patrocinadores — assegurou João Carlos, em entrevista ao RIO ENCENA.

Por falar em patrocinadores, foi a perda de praticamente 100% deles que inviabilizou o festival em 2017. Curiosamente, esta falta de verbas se deu justamente após o sucesso da edição anterior, marcada por recordes, com uma programação 17 dias e 60 espetáculos assistidos por quase 100 mil espectadores. Já para 2018, apesar da confiança, a probabilidade é de proporções menores.

— Na mesma proporção de 2016, talvez não seja. Mas também não vai ser muito menor. Acredito que agente consiga fazer do tamanho que sempre fez. Eu podia ter feito em 2017, mas para não ficar muito pequeno e diferente do que tinha feito ao longo dos anos, preferi não fazer — justifica João.

Artistas conhecidos do grande público, como Eriberto Leão, protagonista de “Jim”, se apresentaram no festival

Independentemente das proporções, porém, duas coisas são certas. Primeiramente, a estrutura deverá ser a mesma da edição passada, com duas grandes tendas montadas logo na entrada da cidade, na Praia do Anil, com capacidades para 1.500 e 500 pessoas, e ingressos a partir de R$ 2.50. Além disso, segundo João, há também a grande expectativa por parte da população angrense, de cerca de 200 mil pessoas carentes de teatro, que vão poder assistir a grandes montagens novamente.

— A Fita já ganhou o coração da população. Você não imagina quantos emails e mensagens de Whatsapp recebo diariamente de pessoas perguntando quando as peças vêm. Tem gente que me para na rua! É muito legal ver que estão comprometidos com o evento — vibra.

Na última edição, o evento recebeu um total de 60 espetáculos

Ainda sobre 2017, João lembra que a perda de patrocinadores esteve ligada diretamente à Lava Jato, operação que tem combatido a corrupção no Brasil nos últimos anos.

— Alguns patrocinadores já eram fiéis, mas tiveram problemas. Substituir um é possível, mas substituir quase 100% fica difícil. Muitos tiveram problemas de crise interna, fora a questão da paralisação nas atividades por causa da Lava Jato. A Eletronuclear foi a principal, e esse foi um dos nossos grandes problemas, porque ela estava com a gente desde a primeira edição. Também teve a intervenção no Sesc. Mas agora, a gente está se recompondo — reforça.

Na edição de 2016, a Fita recebeu cerca de 100 mil espectadores em 17 dias de apresentações

Aliás, recursos de patrocinadores são bem-vindos, claro, mas da prefeitura, não. Atualmente, João está à frente da Secretaria Estratégica de Desenvolvimento Econômico, que abriga as Secretarias Executivas de Turismo, Cultura, Agricultura & Pesca e Indústria & comercio. No entanto, mesmo fazendo parte da gestão do Prefeito Fernando Antônio Jordão, que assumiu no ano passado, ele não pretende usar verba do município.

— Não entra dinheiro da prefeitura há seis anos. Defendo que o evento não pode ficar na dependência de órgãos públicos. Tem que se tornar auto suficiente. Imagine se cada prefeito que entrar na prefeitura inventar quatro ou cinco projetos novos? Vai chegar o dia em que a prefeitura vai fazer só evento — pondera.

Projeto adiado

Se a Fita 2018 está garantida, o sonho de construir um teatro de grande porte em Angra segue engavetado. Com a crise (sempre ela!), João revela que o projeto precisou ser postergado.

— Um projeto dessa natureza tem que ir para a geladeira enquanto esta crise não passar. Acredito que vá ficar para 2019 ou até 2020 — conclui.

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