Ocupação feita apenas por nordestinos chega ao Dulcina, e idealizador explica proposta: ‘Acabar com estigma’

Luiz Maurício Monteiro

Sentido horário: “Desatinos”, “as Bondosas” e “Um Certo Lampião” Fotos: Divulgação

O Teatro Dulcina, na Cinelândia, recebe a partir de sexta-feira (06) a ocupação “Porta Aberta – De Olho no Nordeste”. E ao contrário do que o nome possa sugerir, o projeto, com preços populares, reúne espetáculos, oficinas, palestra e debate não necessariamente para falar das “coisas” da segunda maior região do Brasil, mas, sim, exaltar o artista nordestino. Até porque todos os envolvidos, como iluminadores, cenógrafos, figurinistas, autores, diretores e atores, nasceram por lá.

Em entrevista ao RIO ENCENA, Tom Pires, idealizador e curador da mostra, explica que a finalidade é fugir de estereótipos e levar à cena uma abordagem mais contemporânea da dramaturgia nordestina.

– Queremos mostrar o nordestino sob outra ótica. Enquanto profissionais, estamos aptos a fazer de Nelson Rodrigues a (Jean) Genet. Queremos um trabalho mais conceitual. É uma resistência àquele estigma, do sotaque, e à perpetuação do folclore, com a sanfona, a chita… – ressalta Tom, natural de Gravatá, em Pernambuco, e morador do Rio de Janeiro há 30 anos.

Resistir ao estigma, porém, não significa negar as raízes, como destaca o artista.

Foto: Leandro Mariz/Divulgação

– O nordestino tem uma habilidade natural para ser engraçado, como o Chico Anysio, por exemplo. Mas é um outro tipo de profissional. Somos atores, não negamos nossas raízes, mas queremos fugir daquela coisa apenas do sotaque, da seca, do sertão… Inclusive, no espetáculo “As Bondosas”, que é o carro chefe da ocupação, encerramos com o hino de Pernambuco – esclarece.

Além de “As Bondosas”, a mostra conta ainda com “Desatinos” e “Um Certo Lampião”. Em comum, os espetáculos têm o valor promocional de R$ 20 (inteira) na entrada e também a simplicidade na encenação, marca da Cia. SOS Teatro Investigativo (assista a cenas das peças no fim da matéria).

– É o ator, o texto e o palco. É um teatro simples, com poucos elementos, mais trabalhado na palavra – destaca.

Já os infantis “A Cumadre Fulôzinha” e “Encanta Conto – Contação de Histórias” têm entrada gratuita. Assim como as oficinas, palestra e debate, que contam com especialistas e autores renomados como Newton Moreno, Wellington Júnior e Claudia Pfeffer.

Parceria em família

Tom Pires é irmão do ator, diretor e produtor Alexandre Lino. Juntos, eles já trabalharam em espetáculos como “Chica da Silva, o Musical”, quando Tom foi dirigido por Lino; e “Nordestinos”, peça que teve atuação de Lino e produção de Tom. Já na ocupação no Dulcina, Lino está assessorando na produção e ajudando na divulgação.

“Um Certo Lampião”

“Desatinos”

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