Obra de Lamartine Babo é colocada em cena com sensibilidade e originalidade em ‘Tra-la-lá’

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

30 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

Não faltam musicais “biográficos” hoje. Seja sobre um artista, uma banda, uma década, um movimento artístico… Normalmente, essas peças seguem o mesmo formato: fazem uma narrativa cronológica, com enfoque no sucesso do biografado e pontuada por números musicais com suas principais obras. É muito bom ver um musical que foge deste padrão, pelo simples fato de criar algo diferente. Mas especialmente por se tratar de Lamartine Babo, ícone do nosso samba, um dos gêneros musicais mais característicos do Brasil, carioca, e em uma peça em cartaz – no Oi Futuro de Ipanema –  na época do Carnaval! Tudo a ver!

“Tra-la-lá” narra duas histórias de amor. Uma entre Juju Balangandã e Seu Voronoff (personagens da obra de Lamartine) e outra entre seus netos, Tina e Pedro. Com uma praça como ambiente principal, estes quatro personagens e mais Armando Boaventura se cruzam, trocam experiências, conversam sobre visões de romantismo de gerações diferentes. Muito interessante!

Com um sem número de linguagens cênicas, entre elas a música, a manipulação de bonecos (com destaque para o boneco do próprio Lamartine Babo) e o vídeo, a peça usa todas com qualidade e criatividade – Juju e Seu Voronoff no cinema assistindo a uma paródia de “Cantando na Chuva”, com Seu Voronoff dançando e cantando enrolado na tela, é impagável!

Os atores Anna Bello, Leonardo Miranda, Lenadro Castilho, Isabela Rescala e Daniel Haidar estão muito bem. Carismáticos e com domínio técnico sobre as linguagens que executam, sobretudo a música. Destaque para a leveza de Leonardo Miranda, completamente à vontade em cena em todos os momentos.

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas e sugestões envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.

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