‘O Lago dos Cisnes’ – O balé que virou teatro infantojuvenil, mas que é para todas as idades

Gilberto Bartholo

Gilberto Bartholo

68 anos, é ator, professor, crítico teatral e jurado do Prêmio Botequim Cultural.

Embora seja um amante e incentivador inveterado do teatro infantojuvenil, em função de uma agenda que me leva ao chamado “teatro de adultos” de 2ª feira a domingo, com rara “folga”, num dia do meio da semana, não me sobra muito tempo para assistir a espetáculos destinados aos públicos infantil e “teen”. Por outro lado, como jurado de um Prêmio (Botequim Cultural), que contempla várias categorias no nicho Teatro Infantojuvenil, sou levado a assistir o que está em cartaz, nesse segmento, frustrando-me, na maioria das vezes. Na verdade, raramente, surge uma produção que mereça ser aplaudida e que eu dedique parte do meu tempo a escrever sobre ela, como ocorre, agora, com relação ao espetáculo “O LAGO DOS CISNES”, em curta temporada no Centro Cultural João Nogueira, mais conhecido como Imperator, um maravilhoso espaço na zona norte do Rio de Janeiro (Méier).

SINOPSE

 

“O LAGO DOS CISNES” conta a história de ODETTE (JULIANA MARTINS), uma princesa, transformada em cisne, por Rothbart, um feiticeiro perverso, que desejava com ela se casar e possuir o seu reino.

Condenada a permanecer como cisne, ODETTE só pode ter seu feitiço quebrado, quando encontrar alguém que lhe jure amor eterno, que viria a ser o príncipe Siegfried.

A música do balé foi composta, originalmente, por PIOTR ILITCH TCHAIKOVSKY, em 1876, em Paris, por encomenda do Teatro Bolshoi, de Moscou.

“O LAGO DOS CISNES” é o balé mais montado mundialmente


espetáculo, habilmente dirigido por ALEXANDRE LINO, tem texto de DANIEL PORTO e traz, no elenco, apenas um nome, o de JULIANA MARTINS. A peça é não é inovadora, ao reunir, no palco, destinado a um público de pequenos, diferentes linguagens, TEATROdança e música, mas ganha esse “status”, quando a música, em questão, foi composta para um balé, e faz parte de um projeto de apresentar música clássica, no TEATRO, para crianças.

“O LAGO DOS CISNES” é o primeiro de outros que já estão no forno. O diretor está preparando novas surpresas, envolvendo outros balés consagrados mundialmente, utilizando a música dos grandes compositores clássicos. Em outras palavras, apoderando-me de parte do “release”, enviado por FÁBIO AMARAL (MINAS DE IDEIAS – ASSESSORIA DE IMPRENSA)“A partir do balé original de TCHAIKOVSKY (1840-1893), a peça faz parte do projeto ‘Música Clássica no Teatro para Crianças’, que levará, ao público infantil, grandes obras do universo erudito, em formato de peças curtas, em solos, infantis. Além de estimular reflexões sobre o amor e as relações humanas, esse é um projeto que nasce com a perspectiva de continuidade e irá transitar pelos balés de TCHAIKOVSKY e na musicalidade de outros gênios, como Chopin, Beethoven e Vivaldi”.

“O LAGO DOS CISNES”, originalmente, é um balé em quatro atos, aqui compactado num solo que dura cerca de 50 minutos, o suficiente para deleitar e encantar os olhos e os ouvidos de crianças e adultos. Ainda extraído do já citado “release”“…o espetáculo é um amálgama, para provocar experiências, além do TEATRO, que irão ao encontro do diálogo das artes, para contar a história da princesa ODETTE e sua maldição. O propósito é estabelecer uma reaproximação com uma cultura quase esquecida, e pouco difundida, no Brasil. trazer, para as novas gerações, o acesso à música clássica e com uma leitura atraente para toda a família. As nuances da música erudita, vividas com a potência teatral, trazendo o lúdico e a beleza, em contornos abstratos, sutis e delicados”.

Confesso que fui ao ImperAtor muito mais curioso que cético, mas fui. A curiosidade era muito grande, por achar muito “ousada” a proposta. Por outro lado, um trabalho que reúne uma dupla tão afinada, o que já foi comprovado inúmeras vezes, como DANIEL PORTO e ALEXANDRE LINO, os quais tocam no mesmo diapasão, já é uma garantia de que algo de bom gosto será exibido ao público.

Gostei bastante do espetáculo, por reunir tantas qualidades e pela bela intenção que está por trás dele.

texto se alterna, entre narrações, feitas por ALEXANDRE LINO, e falas, ao vivo, ditas pela atriz responsável pelo solo, JULIANA MARTINS, e vai ajudando a contar a história, a qual se torna muito simples de ser entendida. E nem poderia ser de outra forma, considerando-se o público-alvo.

LINO foi muito inteligente e feliz, ao criar uma direção bastante simples, descomplicada, que facilitasse a compreensão da trama, e isso é, certamente, um grande ganho, para o espetáculo. Ele é um artista familiarizado com a música erudita, já tendo se envolvido num espetáculo teatral e num documentário cinematográfico em que ela é pano de fundo.

A escolha de JULIANA MARTINS, para o papel de ODETTE me pareceu perfeita. Causou-me grande surpresa saber que seus conhecimentos de balé clássico ficaram na infância, quando, em outros tempos, as mães se empenhavam em colocar suas filhinhas em cursos de balé. Era quase que uma obrigação. Atraída pelas artes cênicas, JULIANA não deu prosseguimento aos estudos de balé, entretanto se comporta, em cena, como uma profissional da dança clássica, exibindo um belo trabalho corporal, harmonioso, digno de respeito, admiração e elogios. “Enganou-me” muito bem (momento descontração), com sua leveza, expressão corporal e domínio da técnica exibida. Esse é seu primeiro trabalho solo, apesar de tantos anos dedicados ao TEATROJULIANA estreou muito bem no desafio, para o qual ela tanto se empenhou, a ponto de ter quebrado um dedo, na tentativa de praticar um dos mais difíceis passos (não sei se é o termo correto), no balé, que é fazer ponta. E ela o conseguiu.

espetáculo, em função das dificuldades financeiras para se fazer TEATRO, nos dias de hoje, tem um custo baixo, é uma montagem modesta, em termos de produção, contudo, a falta de dinheiro é compensada pela criatividade dos artistas e técnicos envolvidos no projeto, como é o caso, por exemplo, de KARLLA DE LUCA, que assina a direção de arte. O cenário se resume a uma espécie de ringue, cercado por plástico bolha, salvo engano (é o que parece ser, de longe), representando um “confinamento”, o destino da pobre ODETTE, até ela se livrar dele; um balanço e montes de sacos plásticos, pretos, espalhados pelo palco.

A bela plasticidade do espetáculo se completa com a boa iluminação, de PAULO DENIZOT, e o delicado figurino, assinado por KARLA DE LUCCA, responsável pelo visagismo.

Um bom trabalho também está registrado na direção de movimento consultoria sobre o Cisne, atribuído a Giselda Fernandes.

ALEX FONSECA é o responsável pela boa trilha sonora original.

“O LAGO DOS CISNES” é um espetáculo infantojuvenil, que, na verdade, é para toda a família, que deve ser visto por quem ama o TEATRO e tem a sensibilidade desenvolvida para admirar o belo.

E VAMOS AO TEATRO!!!

OCUPEMOS TODAS AS SALAS DE ESPETÁCULO DO BRASIL!!!

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Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para gilberto.bartholo@rioencena.com.br.

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