‘O Garoto da Última Fila’ – Surpreendente revelação; grande peça e tributo aos verdadeiros profissionais do magistério

Gilberto Bartholo

Gilberto Bartholo

67 anos, é ator, professor, crítico teatral e jurado do Prêmio Botequim Cultural.

É impressionante a força do TEATRO! A garra e a coragem de quem faz TEATRO são incomensuráveis!

Em meio a uma crise sem precedência, em todos os sentidos, por que passa o Brasil, devastando a CULTURA e, principalmente, o TEATRO, este resiste e é quase inacreditável que, do meio do caos, estejam surgindo excelentes produções teatrais, a maioria sem patrocínios, como o que vem ocorrendo neste ano de 2017, no Rio de Janeiro. Acredito que, em São Paulo e em outras praças, também.

É verdade que, vez por outra, “pipoca” uma produção rica, com orçamento na casa dos milhões, cheia de patrocínios, daquelas de causar a famosa “vergonha do alheio”, mas, felizmente, são apagadas, por boas produções, como, por exemplo, o espetáculo a que assisti, na última semana de julho passado, no Teatro das Artes (Shopping da Gávea).

A peça “O GAROTO DA ÚLTIMA FILA”, praticamente, lotou os cerca de 400 lugares do Teatro, na noite em que assisti a ela (27/7/2017), e sem contar com atrações globais, mas com um texto primoroso, uma direção das melhores que vi, este ano – realmente, sensacional –, e um elenco excelente.

Tive receio de não encontrar tempo para escrever sobre a peça, em função de muitas atribulações, às vésperas de uma viagem ao exterior, entretanto a vontade de tornar pública a excelente impressão que esse trabalho me causou era tão grande, que sacrifiquei alguma coisa da minha rotina diária, para me dedicar ao prazer de dissertar sobre a peça.

Sem grande divulgação nas mídias, tenho certeza de que o resultado de uma casa cheia, em plena quarta-feira, é resultado de uma boa divulgação “de boca em boca” (A expressão “boca a boca” não deve ser empregada, neste sentido; está INCORRETA.), método mais do que comprovado que é a melhor forma de divulgação de um espetáculo.

SINOPSE

“O GAROTO DA ÚLTIMA FILA” é uma peça sobre a escola e a família, em que se encontram dois personagens totalmente opostos.

Um é um professor de literatura, de liceu, GERMANO (ISIO GHELMAN), que tem por volta de 50 anos. Escolheu essa profissão, porque pensava que ia lhe permitir viver em contato com os grandes livros e transmitir o seu amor por eles.

GERMANO, um dia, tenta explicar a noção do seu ponto de vista aos alunos, totalmente desinteressados em aprender e alienados, e, para isso, pede-lhes que escrevam sobre o que fizeram no último fim de semana. E entre redações horríveis, descobre uma inesperada, pelo seu conteúdo e forma, que é a do outro personagem especial, o garoto da última fila. Aí se produz um encontro complexo, cheio de desencontros.

GERMANO chegou à profissão pelas razões erradas, e os sonhos de conviver com as grandes obras literárias foram abafados pelo cotidiano de tentar ensinar a jovens na fase da rebeldia, o que o deixa bastante desanimado. Não só com o presente, com o seu momento, mas com o futuro de todos. Mas, quando ele pede, aos seus alunos, que façam uma redação, para poderem perceber o conceito de ponto de vista, uma folha pautada distingue-se das restantes.

CLÁUDIO (GABRIEL LARA) senta-se sempre na última fila. E é com esse olhar, que GERMANO reconhece os seus tempos de aluno – “Ninguém nos vê, mas nós vemos a todos”.

CLÁUDIO entra na casa do seu colega RAFA (VICENTE CONDE), com um pretexto “nobre”, com uma “boa intenção”, e documenta tudo a que assiste lá.

GERMANO e JOANA (LUCIANA BRAGA), sua mulher, tornam-se os seus ávidos leitores, alternando entre a desaprovação, pela intrusão em vidas alheias e a curiosidade pelos acontecimentos do capítulo seguinte.

O meu encantamento pela peça deu-se logo na primeira cena, entre ISIO e LUCIANA. Comecei a me identificar com o personagem dele, um professor de literatura, profissão que abracei por 47 anos, a princípio, com o máximo de prazer e, ao final da carreira, totalmente desiludido, como o personagem, diante do péssimo comportamento dos “alunos” de hoje, em sua grande maioria, desinteressados em aprender, arrogantes, mal-educados e detentores de uma ignorância abissal, sem falar na falta de valores éticos e morais, o que é tão bem discutido no magnífico texto de JUAN MAYORGA, traduzido por JOSÉ WILKER, relativamente próximo ao seu precoce e lamentável falecimento. Senti, na pele, o sofrimento, a angústia e a sensação de perda de tempo, vivenciados pelo professor GERMANO.

Primeira montagem, no Brasil, o texto de MAYORGA enquadra-se no que se pode chamar de “dramaturgia contemporânea”, não só pela temática, mas também pela carpintaria textual, diferente da dramaturgia “convencional”, extremamente valorizada pela direção de VICTOR GARCIA PERALTA. Trata-se de uma peça de vanguarda.

Extraído do “release”, enviado por LEANDRO GOMES e ANDRÉA PESSOA (MNIEMEYER ASSESSORIA E COMUNICAÇÃO), “…a peça circula entre a ação e a narração, em que GERMANO, um professor de literatura, se depara com o atual desinteresse de professores e alunos e com o fraco desempenho de quem deveria estar interessado em aprender. Ao corrigir as redações da classe, descobre um excelente contador de histórias, que o leva para o mundo da ficção, misturado com o real, tornando o texto uma discussão sobre os valores éticos”.

“Instigante” é o mínimo que se pode dizer sobre o espetáculo, além de fascinante e tantos outros adjetivos, uma vez que o que se vê, em cena, é o texto propondo uma interseção realidade/ficção, o ser e o parecer, alternando-se, muitas vezes, de modo tão sutil, que o espectador não muito atento pode se confundir. É preciso, portanto, não piscar e ficar ligado às ações e às falas dos personagens. Não se trata de TEATRO digestivo, para puro entretenimento.

Ainda retirado do “release”, e que julgo interessante registrar aqui: “A peça ajuda na reflexão e procura mostrar que é necessário que a fantasia se faça presente nas vidas de todos, sempre, e é isso que o autor introduz, no duelo entre o professor e o seu aluno: importantes reflexões sobre a arte de construir uma história, pois até a vida mais banal esconde dramas e interrogações de alcance universal e, sem ela, teríamos uma originalidade vazia”.

Ainda que não me canse, serei sempre repetitivo, ao dizer que um bom espetáculo teatral começa no texto, embora este, sozinho, não garanta o sucesso da montagem. Já vi excelentes textos caírem em mãos erradas e serem completamente estragados, deturpados, tornando-se irreconhecíveis. É mais fácil um texto não tão bom ser valorizado por uma direção e um elenco competentes do que o contrário. Aqui, um dos fatores que mais me chamaram a atenção são os diálogos entrecruzados, terminando como deixas para a próxima cena. Muito interessante a arquitetura textual, quanto a tal aspecto.

Quando os DEUSES DO TEATRO conspiram a favor e apresentam um excelente texto, para ser desenvolvido por pessoas da maior competência, aí é festa, é só “correr para o abraço”.

Foi o que aconteceu nesta montagem de “O GAROTO DA ÚLTIMA FILA”. O texto, habilmente construído, que é de grande sensibilidade e força emotiva, com diálogos extremamente fortes e recheados de um humor ácido e inteligente, caiu no colo e nas graças de um grande encenador, como VICTOR GARCIA PERALTA, que soube decodificar as entrelinhas nele contidas e optou por uma direção inteligente, prática, criativa; enfim, brilhante, uma das melhores deste ano, até o presente momento.

No original, a peça se passa em três locais diferentes: a casa do professor, a sala de aula e a casa de uma outra família. Isso pedia muitas entradas e saídas dos atores, além de contínuas mudanças de cenário, pois são muitas cenas em cada uma dessas “locações” (Num filme, seria fácil). VICTOR optou por permitir que a plateia “visse e distinguisse” os diferentes espaços, mantendo todos os atores em cena e utilizando um só cenário, que será alvo de um particular e destacado comentário adiante.

A ação começa com apenas dois atores em cena. Os outros vão chegando, aos poucos, e ninguém abandona o palco. Enquanto ocorre uma cena, os que não estão envolvidos, diretamente, na ação, contracenando, permanecem no palco, porém com um pequeno detalhe: não são os atores que ali estão; são os personagens. Indiretamente, atuam ininterruptamente. Há, sempre, uma ação central e outras periféricas. Mesmo não participando, diretamente, de uma cena, cada ator não deixa de representar o tempo todo. É só desviar, um pouco, o olhar dos que estão falando, para se observar o silêncio significativo dos que não estão. Há “textos” para todos, durante os 90 minutos de duração da peça, os quais passam sem que se perceba o tempo cronológico, tão dinâmica é a direção.

E não pensem que esses atores ficam sentados, nas laterais do palco, aguardando sua vez de entrar em cena, sem iluminação direta sobre eles, como já vimos em tantas montagens. Nada contra, mas eles permanecem é à vista de todos, no espaço cênico, devidamente expostos, sob uma luz intensa, de costas para a ação principal, na maior parte do tempo, realizando alguma atividade “menor”.

Uma das mais importantes funções de um diretor é saber escalar o seu elenco, não se atendo a nomes incensados pela mídia, mas buscando a matéria-prima própria ao desenvolvimento de cada personagem. Por melhor que seja o (a) ator (atriz), nem sempre ele (ela) consegue moldar o personagem como deveria. Não é o caso aqui. Cada um parece ter sido talhado para o papel que representa, com destaque para ISIO GHELMANN, um dos meus atores preferidos, tanto no drama quanto na comédia.

ISIO recebeu a incumbência de dar vida a um personagem difícil, uma vez que o professor GERMANO vive se equilibrando sobre um frágil fio, procurando manter uma estabilidade emocional, que não lhe permita tombar para o lado cru da realidade, para a qual, durante todo o tempo, sua mulher, JOANA, tenta puxá-lo, ou para o lado ideal, utópico, ao qual ele procura dar vazão, na tentativa de valorizar um suposto, ou verdadeiro, talento literário, de CLÁUDIO, o qual lhe entregava, repetidamente, redações incompletas, sem a parte final, sempre cedendo espaço a uma palavra: “CONTINUA”, entre parênteses, fator que aguçava, cada vez mais, o interesse do professor por aquele aluno “diferenciado”. Era como se fosse um livro em capítulos.

O Professor GERMANO vivia abastecendo CLÁUDIO, em forma de presentes ou de empréstimos, com livros, clássicos da literatura universal, com a intenção de fazê-lo aprimorar-se em conhecimentos e técnicas para continuar escrevendo.

Ao mesmo tempo que tenta compreender o comportamento, até certo ponto, estranho, do rapaz, de apenas 17 anos, não consegue fechar os olhos aos seus excessos, sempre alertado pela esposa. Mesmo sem querer, deixava-se influenciar por esta, contestando-a, durante as conversas, porém acabando por levar seus argumentos ao jovem.

GERMANO, no fundo, era um escritor frustrado. Como sempre, ISIO se destaca em qualquer peça em que atue.

LUCIANA BRAGA também tem uma bela participação na trama, fazendo o contraponto com o marido de sua personagem. Esposa do professor GERMANO, sempre mantém os pés no chão e, às vezes, até, um pouco exagerada, com relação às possíveis consequências que poderiam advir da “corda” que o marido dava ao jovem CLÁUDIO.

Paradoxalmente, a racionalidade da personagem choca-se com o quase “non sense” que ela demonstra, quando fala de arte, o que está relacionado à sua atividade profissional, como dona ou curadora (?) de uma galeria de arte, que se propõe a expor e vender obras, no mínimo, de gosto duvidoso. Ou não!!! Todos os diálogos entre ela e o marido, envolvendo o assunto de seu trabalho são hilariantes, desde sua definição para “arte” até a proposta de expor o que ela chamava de “pintura verbal”, que não passava de telas em branco, acompanhadas de um áudio, por meio do qual o “artista” ia dizendo como era o quadro, que ele idealizou, porém não pintou, para que as pessoas pudessem imaginá-lo, “vê-lo”. E por que não admirá-lo? Sem comentários. Delírio da arte e do artista. Tudo eram tentativas para que a galeria não fechasse suas portas.

Atualmente, revendo, bissextamente, na TV, alguns trechos de capítulos da telenovela “Tieta”, em reprise, levada ao ar entre 1989 e 1990, percebo quão talentosa LUCIANA já era, desde o início de sua carreira.

O elenco, formado por quatro atores mais experientes e dois incipientes, tem uma atuação fantástica.

Destaco, além dos dois nomes já comentados, as duas ótimas atuações de CELSO TADEI (RAFA PAI), um executivo insatisfeito com o seu trabalho, nunca reconhecido como deveria, e decidido a se tornar um empreendedor, de forma não muito lícita, e LORENA DA SILVA (ESTER), sua esposa, extremamente fútil e não muito atenciosa para com o filho, RAFA FILHO. Os dois personagens, conquanto sejam coadjuvantes, têm uma grande relevância na trama, o que corrobora a minha afirmação de que é errado falar em “ator coadjuvante”; “coadjuvante” é o personagem, às vezes, nem tanto. Os atores são sempre principais, independentemente de serem ou não os “protagonistas”. CELSO e LORENA valorizam muito seus personagens, merecendo, por isso, meus aplausos.

Ficou para o final a ala jovem do elenco, representada por GABRIEL LARA (CLÁUDIO) e VICENTE CONDE (RAFA FILHO), ambos, se não me equivoco, até então, desconhecidos para mim. Penso nunca tê-los visto atuando. A partir de agora, mais dois promissores talentos na minha lista.

GABRIEL interpreta o enigmático CLÁUDIO, o “garoto da última fila”, aquele que, por timidez ou desinteresse pelos estudos, faz tudo para se manter no anonimato, imperceptível, durante as aulas. Não consegue, porém, esconder sua personalidade e seu talento para as letras, expostos nas redações que produz, durante as aulas de literatura, completamente destoantes do péssimo nível das que são escritas por seus pares.

Seria CLÁUDIO uma espécie de vítima? E por quê? Talvez seu comportamento “diferente” estivesse ligado ao fato de a mãe tê-lo abandonado, aos nove anos de idade? E qual seria o real motivo que o fazia se interessar em saber como era o lugar em que o colega RAFA morava e como seria sua família? Apenas curiosidade ou frustração, já que era pobre e morava longe e mal? Ou algo mais? Durante pouco tempo, cheguei a pensar numa atração homoafetiva, que julguei ter percebido nas entrelinhas, o que, logo, logo, esvaiu-se no ar. Seu desejo em ajudar o colega a aprender Matemática, na casa deste, não seria um mero pretexto para se sentir “em família”?

CLÁUDIO se revelou ousado, em algumas atitudes, como a de entregar, à mãe do colega, um poema de amor ou de dar-lhe um beijo (Ou teria sido apenas imaginação?). Também, da forma mais natural do mundo, sepultando qualquer resquício de moral e pudor, chegou a propor ao professor GERMANO que roubasse a prova de Matemática, para beneficiar o colega RAFA. Dá para vê-lo mais como um jovem amoral? Também se mostra destemido, ao ousar ir à casa do professor GERMANO. Com as mesmas intenções que o levaram à casa de RAFA?

Agradou-me muito o trabalho do ator GABRIEL LARA. Muito mesmo!!!

VICENTE CONDE, que interpreta o personagem RAFA (FILHO), também executa um bom trabalho. Seu personagem talvez seja o menos interessante da trama, entretanto um bom ator, como VICENTE, sabe como jogar purpurina sobre o que poderia não brilhar tanto.

CAROL LOBATO foi bastante parcimoniosa, na idealização dos figurinos, até porque o texto não exige muito, quanto a esse elemento técnico. CAROL utilizou peças que se adéquam a cada personagem, sem se importar com o elemento tempo, uma vez que não há uma rigidez ou precisão temporal na trama.

É um grande achado a cenografia de MIGUEL PINTO GUIMARÃES. Chamou-me a atenção, tão logo a vi, ao adentrar o teatro. Poucas vezes, vi cenários tão simples, significativos e práticos numa peça. Apenas uma longa mesa e alguns bancos e uma única cadeira, de espaldar alto, à sua volta. A mesa serve a várias utilizações. Tudo em branco. Ao descrever esse cenário, em palavras, talvez eu não consiga demonstrar quão sensacional ele é. Uma ilustração, uma imagem, fala mais que mil palavras.

Quanto à iluminação, de MANECO QUINDERÉ, desejo fazer um comentário especial; não uma crítica negativa, até porque não aprovar uma iluminação assinada por MANECO é quase uma heresia.

MANECO optou por manter o palco todo iluminado, com luz branca (se não me engano, o tempo todo, sem variações de cores), apenas mudando, vez por outra, a sua intensidade. Assim, todos os atores, os que estão contracenando e os que não, estão sempre iluminados. É óbvio que existe uma intenção nisso, que imagino ser a de mostrar aquele detalhe ao qual já me referi, qual seja o de que todos permanecem em cena, atuando, direta ou indiretamente. Isso funciona? Sim. Muito. Sem dúvida. Eu, que estou vivendo uma fase de supervalorização da luz, numa peça, com toda a minha ignorância técnica no assunto, pensei numa iluminação setorial, priorizando apenas as áreas em que estariam acontecendo os diálogos. Penso que isso poderia trazer mais dinamismo, ainda, à montagem. Mas é apenas um palpite. Perdão, (São) MANECO!!!

“O GAROTO DA ÚLTIMA FILA” é um espetáculo da melhor qualidade, que entretém e, principalmente, faz pensar, porque “discute a ética, até onde podemos ir, onde cruzamos essa linha, o compromisso com o outro, invasão de privacidade, falhas de caráter, manipulação (…), além da discussão da necessidade da literatura e da arte contemporânea. A arte é útil? A arte ensina alguma coisa?”. O destaque em negrito foi retirado do programa da peça e foi escrito por CRISTIANA LARA RESENDE, grande idealizadora do projeto, ao lado de PERALTA, a responsável por sua concepção geral e diretora de produção, dividindo a tarefa com TATIANNA TRINXET.

Um aplauso especial à determinação de CRIS LARA, pela coragem de empreendedora, sem contar com patrocínios, e por se aliar a tanta gente competente, para que, juntos, pudessem concretizar o sonho de “O GAROTO…”.

“O GAROTO…” é daqueles espetáculos que eu recomendo sem pestanejar e sem esperar que alguém reclame da indicação.

Todos ao TEATRO! Todos a “O GAROTO DA ÚLTIMA FILA”!

Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para gilberto.bartholo@rioencena.com.br.

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