Nelson Rodrigues em dose dupla: ‘A Mentira’ e ‘Perdoa-me por me Traíres’ fazem curtíssimas temporadas na Zona Sul

Do Rio Encena

“Perdoa-me por me Traíres” (cima) e “A Mentira” foram escritas no anos 50 Fotos: PH Costa Blanca e Aline Macedo

Quem não é de perder uma montagem sequer de textos de Nelson Rodrigues (1912-1980) no teatro, já tem programa certo para os próximos fins de semana. Escritos pelo Anjo Pornográfico nos anos 1950, “A Mentira” e “Perdoa-me por me Traíres” realizam curtíssimas temporadas, respectivamente, no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, e no Espaço Furnas Cultural, em Botafogo.

A primeira estreia nessa sexta-feira (15), às 20h, com ingressos a partir de R$ 20 (meia), e segue em cartaz até 09 de julho, com sessões também domingos e segundas, no mesmo horário. Já a segunda cumpre uma temporada ainda menor: apenas dois fins de semana, dias 16, 17, 23 e 24 deste mês, sempre às 19h. A boa notícia é que a entrada é franca.

Dois anos antes de o russo Vladimir Nabokov (1899-1977) criar a emblemática personagem Lolita, Nelson Rodrigues fez nascer Lúcia, do romance “A Mentira” (1953), que tem origem em episódios publicados pelo dramaturgo no Última Hora, a pedido de Samuel Wainer, fundador do jornal.

Com direção de Inez Viana, a primeira montagem de “A Mentira” nos palcos reconta uma trama repleta de elementos rodrigueanos, como mentiras e segredos. Lúcia, uma menina de 14 anos que vive numa família de quatro mulheres e um pai repressor, descobre que está grávida. A partir da suspeita sobre quem seria o pai da criança, uma série de revelações do passado e de desejos reprimidos começa a abalar a harmonia familiar.

Já “Perdoa-me por me Traíres” (1957) também é um drama familiar envolvendo uma jovem, mas com o tio sendo repressor. Dirigido por Daniel Herz, o espetáculo apresenta a obsessão de Raul pela sobrinha Glorinha. A situação fica ainda mais tensa quando a menina, que é órfã, aceita o convite da amiga Nair para conhecer o mundo dos bordéis.

Ao descobrir que Glorinha está se prostituindo, Raul se desespera e decide lhe revelar acontecimentos do passado da família que devem mudar o rumo de toda a história. Mais uma vez, elementos clássicos da histórias de Nelson Rodrigues estão presentes: desejos, traições, morte, sexo, vingança, prostituição e violência física e moral.

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