Nathalia Timberg fala sobre expectativa antes de inaugurar teatro que leva seu nome: ‘Estado de vibração permanente’

Luiz Maurício Monteiro

Nathalia traduziu o texto original da peça para a montagem brasileira Fotos: Airton Silva/Divulgação

Nathalia traduziu o texto original da peça para a montagem brasileira Fotos: Airton Silva/Divulgação

Aos que creem que nada de novo pode acontecer após décadas de profissão, esse talvez seja o momento ideal para que tais conceitos sejam revistos . Com mais de 65 anos de teatro e cerca de 40 espetáculos no currículo, Nathalia Timberg (86) está prestes a vivenciar um acontecimento único e marcante em sua carreira. Isto porque ela começa a encenar a peça “33 Variações” nesta sexta-feira (22/01), às 21h30, no Teatro… Nathalia Timberg. Sim, a casa na Barra da Tijuca construída pelo amigo particular Wolf Maya (que também atua e dirige a montagem) e batizada por ele em sua homenagem.

E mesmo com tantos anos de experiência, a veterana atriz, que traduziu o texto original da peça de Moyses Kaufman, não consegue encarar essa estreia como apenas mais uma. Primeiramente, pelo nervosismo que todo ator admite que sente antes de uma primeira apresentação. E como se não bastasse isso, ela ainda subirá pela primeira vez ao palco do espaço cultural, com capacidade para 400 pessoas, que leva o seu nome e ao qual considera de suma importância para a cidade.

– No dia que perder o frio na barriga, é porque morri e esqueci de cair – brinca a atriz, completando: – Mas só depois de passar por isso (inaugurar a casa) é que vou saber mesmo o que vai acontecer. Não estou planejando, mas não é uma estreia como outra qualquer. Afinal, está nascendo um teatro nessa cidade, o que é extraordinário, principalmente nos dias de hoje. É um fato que nos mantém em vibração permanente. Agora, eu dizer o nível que isso vai atingir… Se eu sobreviver, vocês saberão.

O espetáculo é um musical erudito com canções tocadas ao vivo pela pianista Clara Sverner

O espetáculo é um musical erudito com canções tocadas ao vivo pela pianista Clara Sverner

Sobre a peça, cuja versão original fez apresentações na Broadway, trata-se de um musical erudito (com canções tocadas ao vivo pela pianista Clara Sverner) que conta a história de um compositor considerado medíocre que, no século XIX, escreveu uma valsa e a deixou com alguns compositores importantes da época para que eles a publicassem. No entanto, o único a aceitar a proposta foi ninguém mais que o alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827), considerado um dos maiores nomes da música clássica em todos os tempos. A partir daí, vão sendo encenadas as razões que levaram um gênio a transformar em clássico uma obra tão banal.

– Esse espetáculo tem o tamanho do nosso sonho. É um musical que faz com que o público pense, conheça, reflita. Tem uma cenografia bela, música da melhor qualidade, a magia da luz, na iluminação cênica – complementa Wolf Maya.

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