Morre no Rio de Janeiro a atriz Rogéria, aos 74 anos

Do Rio Encena

Rogéria faleceu aos 74 anos em decorrência de uma infecção generalizada Foto:Reprodução/Facebook

Rogéria, de 74 anos, morreu na noite desta segunda-feira (04). A atriz tinha acabado de ser internada novamente no Hospital Unimed Rio, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com um quadro de infecção urinária que se agravou com uma crise convulsiva. Segundo informou o hospital, ela faleceu após um choque séptico. Até o fechamento desta nota, não havia notícias sobre velório e sepultamento.

Esta foi a terceira internação de Rogéria em três meses. Em 13 de julho, a atriz deu entrada na Clínica Pinheiro Machado, em Laranjeiras, Zona Sul, onde fez uma bateria de exames e teve a infecção diagnosticada. Depois de duas semanas na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), recebeu alta. Já em agosto, no hospital da Barra, voltou a ser internada pelo mesmo problema, sendo liberada no dia 26.

Nascida Astolfo Barroso Pinto, em 25 de junho de 1943, em Cantagalo, interior do Rio, começou como maquiadora na extinta TV Rio. Já em 1964, após seu título num concurso de fantasias de Carnaval, tentaram rebatizá-la de Astolfo, que parecia um nome muito sério, para Rogério. O público, por sua vez, passou a entoar gritos de “Rogéria”. Àquela altura, ela, que veio a ser uma das transformistas em atividade há mais tempo no Brasil, já era símbolo na luta pelos direitos dos homossexuais e contra a homofobia.

Ainda em 1964, iniciou a carreira artística num reduto gay em Copacabana, chamado Galeria Alaska. Nos anos 70, começou a ganhar espaço no teatro, trabalhando com nomes como Ary Fontoura, Agildo Ribeiro e o produtor Carlos Machado (1908-1992). Em 1976, atuando ao lado de Grande Otelo (1915-1993) na peça “O Desembestado”, faturou o Troféu Mambembe, criado pelo Ministério da Cultura.

Já nos anos 2000, mais precisamente em 2004, começou um de seus trabalhos mais conhecidos. Ao lado de outras transformistas pioneiras no país como Camille K, Divina Valéria, Eloína dos Leopardos e Jane Di Castro, formou o elenco do show “Divinas Divas”, que marcou os 50 anos de carreira da maioria delas. Depois de ficar uma década ininterrupta (até 2014) em cartaz, a produção virou um documentário, dirigido por Leandra Leal e lançado em junho deste ano, com o mesmo nome.

Na TV, Rogéria fez mais de 20 trabalhos na TV, entre séries e novelas, e no cinema, mais de 10 filmes. Ora interpretando personagens, ora a si mesma, quando deixava transparecer a alegria e o carisma que viraram suas marcas.

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