Monólogo fictício ‘Traga-me a Cabeça de Lima Barreto’ realiza curta temporada no Sesc Copacabana

Do Rio Encena

Hilton Cobra está comemorando 40 anos de carreira artística Foto: Valmyr Ferreira/Divulgação

Em celebração aos 135 anos do nascimento do jornalista e escritor carioca Lima Barreto (1881-1922), o inédito monólogo “Traga-me a Cabeça de Lima Barreto” inicia uma curta temporada no Sesc Copacabana a partir desta sexta-feira (14), às 19h. As sessões também aos sábados, no mesmo horário das 19h, e no domingo, às 18h, vão apenas até o próximo dia 07. O espetáculo, dirigido por Fernanda Júlia, é projeto da Cia. dos Comuns, fundada há 15 anos pelo protagonista da peça Hilton Cobra, que por sua vez comemora quatro décadas de carreira artística.

Na trama fictícia escrita por Luiz Marfuz, os eugenistas – classe definida pelo britânico Francis Galton (1822-1911) como a dos “bem nascidos” que definem as qualidades raciais das gerações futuras – exigem a exumação do cadáver de Lima Barreto após seu óbito. A finalidade da iniciativa, motivada por ignorância e racismo, é descobrir como o cérebro de um negro poderia ser capaz de produzir tantas obras literárias – romances, crônicas e afins – já que, de acordo com as crenças do grupo, o privilégio da arte nobre e da boa escrita pertencem apenas às raças superiores. Dentro desse contexto, as várias faces da personalidade e da capacidade do escritor acabam expostas.

– É uma felicidade discutir eugenia e racismo a partir de Lima Barreto.  Também é um reconhecimento a Lima, um autor tão pisoteado, tão injustiçado, que pensou tão bem esse Brasil e abriu na literatura brasileira “a sua pátria estética”, com os pisoteados, loucos, os privados de liberdade – complementa Hilton Cobra.

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