Maria Padilha celebra 40 anos de carreira estreando ‘Diários do Abismo’, seu primeiro monólogo, no CCBB

Do Rio Encena

Maria Padilha está celebrando 40 anos de carreira Foto: Divulgação

Se completar 40 anos de carreira é motivo de celebração, Maria Padilha decidiu fazê-lo em grande estilo. Estreia no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) nesta quinta-feira (13), às 19h30, “Diários do Abismo”, primeiro monólogo da trajetória profissonal de quatro décadas da atriz carioca de 58 anos, que, neste período, atuou em aproximadamente 30 espetáculos – entre eles,  “As Quatro Patas no Poder”, sua estreia nos palcos em 1978 – mais de 30 trabalhos na TV e cerca de 15 filmes.

“Diários do Abismo” é uma adaptação teatral do autor Pedro Brício para “Hospício é Deus”, um dos dois únicos livros publicados pela escritora mineira Maura Lopes Cançado (1928-1993), que relata na publicação os anos em que esteve internada em sanatórios e clínicas vivenciando os tratamentos questionáveis dispensados aos pacientes em décadas passadas.

— O que Maura escreve sobre a natureza humana, loucura, sanidade e religiosidade impressiona pela assustadora lucidez com que aborda os temas — explica o diretor Sérgio Módena.

Maria Padilha conheceu a obra de Maura graças ao ator Ney Latorraca, que a presenteou com livro “Hospício é Deus” e a avisou que ali se encontrava uma personagem em potencial. Já no espetáculo, a atriz dá a visão de Maura para o espaço cênico contando com tudo o que está ao seu redor: o cenário, que transforma camas de hospital em páginas de um diário; o figurino, um longo roupão de hospício; a trilha sonora, que emite sons e ruídos que parecem sair da cabeça da personagem.

A escritora

Maura” Foto: Reprodução/Internet

Nascida numa família de classe alta de Minas Gerais, Maura Lopes Cançado foi diagnosticada ainda jovem como psicótica. Passando por inúmeros sanatórios e clínicas psiquiátricas, começou a relatar em seus diários os métodos desumanos aos quais era submetida nestes lugares.

Apesar destes percalços, conseguiu emprego como escritora no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, aos 31 anos, em 1959. Já em 1965 e 1968, lançou o “Hospício é Deus”, e “O Sofredor do Ver”, respectivamente. Estes títulos foram reeditados pela editora Autêntica em 2015.

No entanto, a vida da escritora voltou a virar do avesso em 1972, quando matou uma interna grávida por estrangulamento. Já em 1980, depois de deixar o manicômio judiciário onde ficou pelo crime, passou ainda por outras clínicas antes de morrer em 1993 vítima de um infarto.

PUBLICIDADE