Luis Lobianco chega ao Teatro Dulcina com drama ‘Gisberta’

Do Rio Encena

Lobianco sobe sozinho ao palco para contar a trajetória de Gisberta Foto: Divulgação

O Teatro Dulcina, na Cinelândia, recebe a partir desta semana o espetáculo “Gisberta”. Com direção de Renato Carrera, o drama solo inicia sua segunda temporada – a primeira foi em março, no CCBB – nessa sexta-feira (09), às 19h30, levando ao palco mais uma vez a questão da transfobia. No palco, Luis Lobianco conta parte da trajetória da personagem-título, brasileira transgênero assassinada de forma brutal em Portugal, no ano de 2006. Mistura de política, história, música, teatro, humor, poesia e ficção, a peça segue em cartaz até 02 de julho, com sessões também sábados e domingos, no mesmo horário.

Com texto de Rafael Souza-Ribeiro construído a partir de depoimentos de familiares da vítima, do processo judicial e de visita ao local do óbito, a montagem, idealizada pelo próprio Luis Lobianco, retrata a realidade das inúmeras vítimas de transfobia. No caso de Gisberta, após sua morte, cresceram em Portugal as discussões sobre a transfobia, e ela se tornou ícone na luta pela conscientização para uma extinção de crimes de ódio contra gays, lésbicas e transexuais. Já em 2016, dez anos após sua morte, seu nome foi dado ao primeiro centro de apoio à população LGBT do norte português, “Centro Gis”, em Matosinhos, distrito do Porto.

Já o Brasil, segundo pesquisa realizada pela ONG (organização não governamental) Transgender Europe (TGEU), o é o país onde mais se mata transexuais e travestis. Aqui foram registrados 42% dos 295 casos de assassinatos de pessoas trans ao redor do mundo em 2015.

– Números que não param de crescer junto com uma onda conservadora de intolerância com as diferenças. Se não conseguimos mudar as leis que não nos protegem, que a justiça seja feita no teatro, com música e luzes de Cabaré. Que venham as identidades de humor, gênero, drama, música, tragédia e redenção. O caso de Gisberta não é conhecido por aqui e decidi que Gisberta vai reviver a partir da arte e será amada pelo público – desabafa Lobianco, que no palco é acompanhado por três músicos.

A trajetória de Gisberta

Nascida e criada no bairro Casa Verde, em São Paulo, Gisberta era caçula numa família de oito irmãos. Desde pequena, já não se sentia confortável com o corpo no qual nascera. Com 18 anos, em 1979, ao ver suas amigas serem assassinadas na capital paulista e se sentindo uma vítima em potencial, decidiu deixar o Brasil rumo a Paris. Anos mais tarde, já após o tratamento hormonal e o implante de silicone, se mudou para Porto, onde começou a trabalhar em bares e boates, e viveu uma vida intensa, com direito a uso de drogas.

Sua situação piorou depois que testemunhou o atropelamento de seus dois cães de estimação. A partir daí, ela, que já era portadora do vírus HIV, mergulhou numa forte depressão, passou a definhar e acabou perdendo o visto de imigrante. Depois, virou moradora de rua, até ser encontrada num prédio abandonado por um grupo de jovens. No início, eles até a ajudaram, mas em seguida, deram início a uma série de maus tratos e torturas, até a jogarem, ainda com vida, num poço cheio d’água. A conclusão do processo foi morte por afogamento.

PUBLICIDADE