Keli Freitas relembra dúvidas antes de escolher profissão: ‘Tudo foi passando, e o teatro ficou’

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Em 13 anos de carreira, Keli Freitas já esteve em cerca de 40 peças

Em 13 anos de carreira, Keli Freitas já esteve em cerca de 40 peças

Chegar à fase jovem e ter que escolher a profissão que irá se exercer pelo resto da vida é um problema que tira o sono da grande maioria dos adolescentes. E com Keli Freitas não foi diferente. Em entrevista ao RIO ENCENA, a atriz, produtora e diretora, hoje com 32 anos, relembrou o dilema que foi optar pelo teatro dentro de uma gama de distintas áreas profissionais que a encantavam.

– Queria tudo e não sabia o que queria mais. Queria ser atriz, mas queria ser pianista, jogadora de futebol… E aí tudo foi passando, e o teatro ficou. Dentro do próprio teatro, até hoje, ainda estou me perguntando que profissão eu teria – afirma.

De fato, dentro do teatro, essa mineira de Três Corações não tem uma trajetória monótona. Em 13 anos de carreira, ela já esteve em cerca de 40 espetáculos, como por exemplo “As Bruxas de Salém” (2002), “A Ratoeira” (2006) e “Doroteia” (2012), entre outros. E sempre desempenhando funções diferentes, seja como atriz, diretora ou até mesmo autora, como é o caso do infantil “Galinha Pintadinha em Ovo de Novo”, que está em cartaz no Teatro das Artes, na Gávea. Ou seja, uma artista polivalente, que apesar de jovem, já tem muita história para contar.

Cite um espetáculo inesquecível que você tenha participado.

Inesquecíveis talvez sejam todos. Difícil esquecer um espetáculo de que se tenha feito parte. Uma experiência recente muito marcante foi “Incêndios”, de Wajdi Mouawad com a direção do Aderbal Freire-Filho. Um espetáculo de uma força incrível, que conseguiu reunir tantas qualidades raras. Ficamos quase dois anos em cartaz entre Rio, São Paulo e viagens, e vamos voltar em 2016 para uma curta temporada no Teatro Net Rio, além de sete outras cidades.

Tem algum fracasso na carreira? Pode nos contar?

É praticamente só o que tenho… com pouquíssimas exceções, talvez, que acontecem de quando em vez. Mas… dizer “fracasso” é um ponto de vista, não? Não acredito muito nisso de sucesso e fracasso. Acredito na força das experiências. Sou muito grata à minha imensa lista de “fracassos”.

O que ainda deseja fazer para considerar sua carreira completa no teatro?

Acho bastante difícil que eu possa um dia considerar minha carreira completa…. Soa pretensioso. Mas dirigir é certamente a função à qual tenho mais vontade de me dedicar.

Prefere produzir, dirigir ou atuar? Por quê?

Nunca produzi para teatro, não tenho o menor talento. Já dirigir/atuar/escrever… não tem muito isso de preferido, são coisas que caminham juntas. Se estou escrevendo, tem uma atriz e um diretor em cima da minha mesa, na ponta do meu lápis, na minha forma de pensar; se estou em cena tem um diretor e um escritor conversando dentro de mim. É meio assim que vai indo, e  a gente vai tentando se escutar.

A artista mineira, de 32 anos, assina o texto do musical infantil "Galinha Pintadinha em Ovo de Novo", em cartaz na Gávea Foto: Divulgação

A mineira, de 32 anos, assina o texto do musical infantil “Galinha Pintadinha em Ovo de Novo”, em cartaz na Gávea Foto: Divulgação

Ator ou atriz você que tem como referência no teatro?

Uma atriz cujo trabalho me marcou muito durante minha formação e ainda hoje, é a Mariana Lima.

Cite um diretor (a) que você admira?

Só um? Então dois: Enrique Diaz e Aderbal Freire-Filho.

Um gênero em que prefere atuar?

Não consigo muito pensar por gênero. O bom é poder estar onde faça sentido estar. Esse “onde” pode variar muito. A saúde para mim sempre foi o poder circular, passear. Há sempre algo novo pra se aprender, em lugares diferentes dos que você já conhece.

Um profissional com quem tenha mais afinidade para trabalhar no teatro?

A vida vai nos dando muitos parceiros… Poderia fazer uma longa lista, seja de pessoas que encontrei, que desejo reencontrar ou aqueles com quem desejo trabalhar, mas ainda não aconteceu. O teatro, como a vida, é a arte do encontro.

Na sua opinião, qual é o maior desafio na carreira de quem trabalha com teatro?

Pagar as contas vivendo no Rio de Janeiro de hoje é certamente um deles.

Se não trabalhasse com teatro, que profissão teria escolhido?

Essa é difícil pra mim… Essa coisa de ter que “escolher uma profissão” foi um momento muito dramático na minha vida, porque não conseguia escolher nenhuma. Queria tudo e não sabia o que queria mais.  Queria ser atriz, mas queria ser pianista, queria ser jogadora de futebol, queria ser antropóloga, numismática (que estuda moedas e medalhas), arqueóloga, professora de inglês. E aí tudo foi passando e o teatro ficou. Dentro do próprio teatro, até hoje, ainda estou me perguntando que profissão eu teria…