Infantil ‘Tagarelando’ é um belo trabalho, mas perde o ritmo com excesso de ideias postas em cena

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

30 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

Fruto do trabalho do coletivo Portô, formado por artistas oriundos da Escola de Teatro Martins Penna, da UNIRIO (duas das principais escolas de formação teatral do Rio de Janeiro) e do Circo Crescer e Viver, o infantil “Tagarelando” é um projeto de contação de histórias. Com quatro anos de estrada em escolas, está agora no formato espetáculo em cartaz no CCJF (Centro Cultural da Justiça Federal).

Para começar, é preciso ressaltar o programa da peça. É bonito, com tonalidade característica do nordeste brasileiro, com jogos (que estendem a experiência teatral) tradicionais nossos, como o caça-palavras e o labirinto, tudo perfeitamente fiel à peça, de fato nos introduzindo ao seu universo. Do ponto de vista técnico, os textos são objetivos (algo raro!) na apresentação do projeto e da história da companhia. Excelente!

A peça em si escorrega na longevidade de sua história e na beleza de seu projeto. Como um épico de fantasia com ares de nordeste brasileiro, o espetáculo traz inúmeros elementos, entre acrobacias e objetos que são utilizados da maneira mais criativa possível, de fato espelhando a fertilidade da imaginação infantil e a liberdade da contação de histórias. Somado a isso, temos uma trajetória de quatro anos de apresentação em escolas, que naturalmente trouxeram para a equipe várias novas ideias, que agradaram aos diversos públicos e, por isso, foram inseridas na montagem. É evidente a qualidade de cada cena, de cada ideia, seja física, entre os atores, seja com os objetos; a prova disto são as infinitas risadas e a euforia das crianças na plateia. O problema é que colocar todas as ideias em cena toma tempo, e o ritmo da peça fica comprometido.

Como resultado final, a peça acaba cansando um pouco, principalmente depois de uns 20, 30min. Continua a ser interessante ver a construção das cenas (vale destacar que não existe uma única acrobacia que se repete), mas ficamos nos perguntando aonde aquela aventura épica vai levar.

Um abraço e até domingo que vem!!

Péricles Vanzella: pericles.vanzella@rioencena.com.br

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