Infantil ‘Marrom, nem Preto, nem Branco?’ é carismático e divertido

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

30 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

Como escreve a própria autora, Renata Mizrahi, no programa da peça: é impressionante “quanto chão ainda temos que percorrer para acabar com os abismos que nos separam, por causa de uma cor”. De fato, por mais que o tema seja cada vez mais recorrente, já há alguns anos, ainda vemos muito preconceito e diversos tipos de discriminação por aí. Neste sentido, uma peça como “Marrom, nem Preto, nem Branco?” é, só por abordar o tema, um projeto muito importante, ainda que não se aprofunde ou traga reflexões novas. Como espetáculo, sobra em carisma e em ótimo aproveitamento de todos os bons elementos que tem.

Já na sua última semana de sessões no Teatro Ipanema, a peça apresenta a história de uma menina que possui mãe negra e pai branco. Sendo mulata (em suas palavras “marrom”, numa literalidade divertidíssima!), tem dificuldade de se auto-definir, e sofre com pré-conceitos sociais, ainda que nem sempre agressivos (e esta sutileza é um ponto excelente que a peça alcança!).

Cenário e figurino de Carlos Alberto Nunes são bem coloridos, e dão fruição à peça com sua praticidade. A direção musical de Marcelo Alonso Neves aproveita os atores e suas aptidões para um belo uso da música ao vivo.

Os atores estão excelentes! Ana Paula Black e Guilherme Miranda, em papéis mais sóbrios de pais carinhosos e cuidadosos. Vilma Melo, Maíra Kestenberg e Maycon Marcondes simplesmente brilham de tão à vontade em cena, cada um à sua maneira!

A direção, também de Marcelo Alonso Neves, como descrito até aqui, chama a atenção pela capacidade e criatividade de aproveitamento dos bons elementos que tinha em mãos. Vale conferir!

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas e sugestões, envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.

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