Inez Viana e Debora Lamm celebram 10 anos de parceria artística estreando drama sobre o amor no CCBB

Do Rio Encena

Debora e Inez trabalharam juntas pela primeira vez em 2009 Foto: Elisa Mendes/Divulgação

Desde que Inez Viana dirigiu Debora Lamm na peça “As Conchambranças de Quaderna”, em 2009, lá se vão 10 anos de parceria entre as duas. E para celebrar a primeira década da dobradinha, que resultou inclusive na criação da Cia. OmondÉ, as atrizes decidiram engatar mais um trabalho juntas, mas, desta vez, com uma novidade. Em “Por Favor Venha Correndo”, que estreia no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), nessa quinta-feira (14), às 19h30, elas vão dividir o palco pela primeira vez.

A motivação de Debora e Inez para esta nova empreitada unidas foi falar de amor. Principalmente, o amor como ato político em tempos de intolerância. Para o projeto, convidaram a diretora Georgette Fadel e o autor Pedro Kosovski, cujo texto inédito retrata um casal formado por duas mulheres que, assim como pode acontecer com qualquer relacionamento homoafetivo, passa por situações de preconceito e desrespeito.

Tais questões são representadas no cenário elaborado por Simone Mina, responsável também por direção de arte e figurino. No palco, em meio a outros objetos de cena, as atrizes lidam com um edredom que, ao se dobrar em sequência, vai encurralando-as, tal qual fazem os questionamentos que partem da sociedade e entram na intimidade de um casal.

— A peça abre esse corpo de intimidades que é invadido por gritos lá fora, de intolerância, do preconceito, do desrespeito ao amor. O edredom vai ficando pequeno, se restringindo — explica Simone Mina.

Sobre esse novo trabalho com Inez, a motivação de Debora foi exatamente ter a oportunidade de contracenar pela primeira vez com a parceira.

— O que nos liga ou não a uma pessoa? Por que algumas pessoas ficam e outras só passam na nossa vida? Que movimento é esse de ficar numa relação? — indaga.

Já Inez recorda que questionamentos e experiências pessoais das próprias atrizes contribuíram para a construção da história de amor entre duas pessoas do mesmo sexo encenada na peça.

— A partir destas questões filosóficas, durante o processo criamos uma trama. Um encontro nunca é só um encontro. Que linha é essa que me liga a uma determinada pessoa? — complementa.

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