Idealizador do Teatro do Saara comenta resposta do público e desejo de tornar o projeto permanente: ‘Falta o dinheiro’

Luiz Maurício Monteiro

“O Sequestro do Trem Fantasma” é um dos espetáculo apresentados no Teatro do Saara Foto: Reprodução/Facebook

Desde o último dia 12, está em funcionamento dentro de um antigo casarão no Largo São Francisco de Paula, no Centro, um projeto original e peculiar: o Teatro do Saara. O nome já diz tudo. Trata-se de um espaço cultural que recebe espetáculos teatrais em meio à correria do Saara, região comercial com mais de 800 lojas por onde circulam cerca de 80 mil pessoas diariamente. Por enquanto, a empreitada é temporária, prevista para ser encerrada em 23 de junho, mas já há uma movimentação para torná-la permanente, inclusive expandindo as atividades. E para tal desejo ser realizado, resta apenas um elemento fundamental: a verba.

– Temos esse desejo e também uns 10 mil projetos preparados para entrar em editais (risos). Para manter a programação diária, ampliar (com sala de ensaio, teatro de pequeno porte…) e reformar o prédio, falta só o dinheiro. Sem a verba do poder público ou até de um patrocinador privado, o projeto está morto – atesta Fernando Maatz, idealizador do teatro, que nesta entrevista ao RIO ENCENA, ressaltou ainda que a atual etapa do projeto só saiu do papel graças ao programa de fomento da prefeitura do Rio de Janeiro de 2015.

Chamado por Fernando de teatro a varejo, o Teatro do Saara tem caráter popular e dinâmico. Com ingressos a apenas R$ 3, peças curtas, de 25 minutos de duração cada, são apresentadas de segunda a sexta, entre 12h e 15h, a fim de se tornar uma opção de lazer para o pessoal que trabalha por perto, ou até mesmo quem está só de passagem, na hora do almoço. Tal logística, a princípio, parece estar dando certo, segundo Fernando, que também é diretor da Anti Cia de Teatro e tem Luciana Zule e Natália Simonete como sócias no projeto.

Fernando posa com Luciana Zule, uma das sócias, e atores do projeto no Largo São Francisco de Paula Foto: Renato Marques/Divulgação

– Está dentro da expectativa. Ainda não lota, mas está rolando o perfil de público que imaginávamos, que é o cara que vai almoçar e tem 30 minutos livre. Está acontecendo assim: cinco minutos antes não tem ninguém, e na hora aparece todo mundo. Ainda não cancelamos nenhuma sessão. Só no primeiro dia que atrasamos, e o pessoal foi embora justamente porque precisava voltar ao trabalho. Começamos com uma peça por dia, mas na primeira vez que apresentamos três, quatro senhoras que assistiram à primeira, ficaram para ver tudo – recorda.

No repertório, um total de cinco espetáculos: “O Homem que via os Mortos”, “O Sequestro no Trem Fantasma” , “O Mascate da Rua da Alfândega”, “Dr. Frederico, o Hipnótico” e “Crime na Uruguaiana”, que apesar de serem inspirados no Grand Guignol, teatro francês famoso entre os séculos XIX e XX pela maneira de trabalhar com o terror, são diferentes entre si, o que pode atrair diferentes públicos. Esse, aliás, foi apenas um dos motivos que fizeram Fernando criar o projeto acreditando em sua vida longa.

– A ideia partiu de várias coisas. Apesar de uma certa dificuldade com o público, o teatro, no nosso entendimento, é um fenômeno urbano, que exige concentração urbana. E quando nos tocamos que a concentração do Saara é de 80 mil pessoas por dia, se tocássemos meio por cento disso, teríamos a sala lotada. Pensamos no varejo como mote da região para facilitar, pois a pessoa já está na rua e não precisa sair de casa para ir ao teatro. A entrada sai por menos de uma passagem de ônibus. Fizemos um vídeo promocional perguntando o que as pessoas fariam no Saara com R$ 3. Elas podem ir ao teatro. Tem a questão que vem da virada do século XIX, que é um programa com cinco peças diferentes para agradar a todos. E tem o valor história do Saara, não é? – encerra.

SERVIÇO

Endereço: Largo São Francisco de Paula, Nº 19 – Centro.
Telefone: (21) 3349-8008
Sessões: Segunda a sexta 12h, 13h, e 14h
Período: Até 23/06
Entrada: R$ 3

* Segundo informações do teatro e/ou da produção do espetáculo

ERRATA (21/03): Erramos ao deixar de informar no ato da pública desta matéria os dias de apresentações dos espetáculos. As devidas informações já se encontram no corpo do texto e no serviço.

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