Idealizado e protagonizado por Mônica Martelli, comédia ‘Minha Vida em Marte’ tem o bom ritmo como destaque

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

30 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

“Minha Vida em Marte” vem como uma continuação de “Os Homens são de Marte e é pra lá que eu vou”, que há mais de 10 anos foi sucesso absoluto de público no Rio de Janeiro. Os dois monólogos narram momentos fundamentais na vida da mulher retratada por Mônica Martelli, autora e atriz de ambos: no primeiro, a personagem Fernanda tem em torno de 30 anos e busca um grande amor. No segundo e atualmente em cartaz no Shopping da Gávea, Fernanda tem 45 anos, encontrou o grande amor, casou, e está em crise no casamento.

O tema recorrente no histórico teatral do Rio de Janeiro é também comum na vida, e, assim, gera infinitas identificações no espectador. O tom escolhido para o espetáculo segue essa corrente já propiciada pelo próprio tema: é intimista, transformando a plateia em confidente da personagem.

O cenário coloca um banco no centro do palco, e é basicamente com ele que a atriz interage o tempo todo, seja em situações diversas, seja como parte de sua sessão de terapia em grupo, que tem no público os outros integrantes. No mais, é muito bonito, todo em tom cru (igual areia).

O figurino compõe-se de variadas peças de roupa que sobrepõem-se umas às outras, e tudo que a atriz precisa fazer é tirar ou virar do avesso um item, e o figurino já parece ter mudado completamente. Todas as trocas de roupa acontecem em cena, o que é bem interessante por si só, mas especialmente diante do efeito descrito acima.

Isto, aliás, é um processo que ralenta o andamento do espetáculo – não as trocas de roupa em si, mas sim um processo que se repete durante toda a peça: a cada mudança de cena, entra uma música de fundo, a luz baixa, a atriz caminha lentamente, contornando o cenário, troca de roupa (em certas cenas), por vezes tem alguma outra ação no fundo do palco, por vezes bebe água, e então senta novamente e a nova cena começa.

Mônica Martelli tem um tempo cômico precioso! Raro! Ainda que pouco versátil, a repetição deste “time” gera bons momentos e dá ritmo ao espetáculo, o que sem dúvida é seu ponto mais forte.

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.

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