Grandes vencedores da noite, ‘Auê’ e ‘Gritos’ dividem categoria de Melhor Espetáculo no XI Prêmio Aptr

Luiz Maurício Monteiro

Todos os vencedores da noite posaram no palco do Imperator após a cerimônia Fotos: Luiz Maurício Monteiro

O Centro Cultural João Nogueira, o Imperator, no Méier, recebeu na noite desta terça-feira (11) a 11ª edição do Prêmio Aptr (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro). Com apresentação de Marco Nanini e Silvero Pereira, travestido como Gisele Almodóvar, a cerimônia consagrou “Auê”, da Cia. Barca dos Corações Partidos, e “Gritos”, da companhia franco-brasileira Dos a Deux” como os melhores de 2016. Cada produção ficou com três premiações, inclusive dividindo o troféu na categoria Melhor Espetáculo.

As duas peças, aliás, já se destacavam desde que saiu a relação de indicados definida pelo júri formado por Lionel Fischer, Macksen Luiz, Rafael Teixeira, Bia Radunsky, Luiz Felipe Reis, Rodrigo Monteiro, Rodrigo Fonseca, Daniel Schenker e Tânia Brandão. Das 13 categorias, “Auê” teve cinco citações e “Gritos”, quatro.

– Foi um trabalho insano, de bailarino obsessivo mesmo. Começamos com quatro horas de ensaios, depois cinco, depois seis, e acabamos terminando com 12 horas por dia. Amo muito vocês – disse a diretora de “Auê”, Duda Maia, em seu discurso, fazendo a declaração final virando-se para a equipe da montagem.

As equipes de “Gritos” e “Auê” dividiram o prêmio de Melhor Espetáculo de 2016

– Queria fazer uma homenagem à produção. Porque, na verdade, o produtor é um acompanhador, que está com você o tempo todo, independentemente das dificuldades. E nós da Dos a Deux sempre tivemos sorte com isso, tanto na França, como aqui no Brasil. Queria agradecer a todos – complementou Artur Luanda Ribeiro, diretor, ator e iluminador de “Gritos”.

Outro destaque da noite foi Marcos Caruso, eleito Melhor Ator Protagonista por sua atuação em “O Escândalo Philippe Dussaert”. Com a nomeação, dividida com Otto Jr. (por “Amor em Dois Atos”), o experiente ator chegou à incrível marca de seis premiações na temporada, uma vez que já havia faturado os prêmios Cesgranrio, Shell, Botequim Cultural, Prêmio do Humor e São Sebastião do Rio de Janeiro. Em entrevista ao RIO ENCENA, ele admitiu que o desempenho superou suas expectativas.

– Absolutamente superou, porque fui indicado a seis prêmios e levei os seis. Uma emoção atrás da outra, mas agora também parou. Não tem mais nenhuma indicação (risos). Estou feliz, já está de bom tamanho, superou as expectativas, mas quem ganha com tudo isso aqui é o teatro – ressaltou Caruso, que depois de passar por outras cidades brasileiras como Campinas, Goiânia e Vitória, seguirá em turnê internacional por países como Estados Unidos e Portugal, antes de voltar em 2018 ao Brasil para novas temporadas em São Paulo e no Rio.

Nas outras categorias destinadas a atores, a veterana Suzana Faini levou o prêmio de Melhor Atriz Protagonista. Já Atriz e Ator coadjuvantes, foram para Juliana Guimarães e Ary França, por “Sucesso” e “Galileu Galilei”, respectivamente.

O Aptr foi o sexto prêmio de Marcos Caruso por sua atuação em “O Escândalo Phillipe Dussaert”

Como de praxe, a cerimônia prestou suas homenagens. Primeiro a personalidades que faleceram no último ano, como Domingos Montagner, Duda Ribeiro, Elke Maravilha, Naum Alves de Souza, Sábato Magaldi e Umberto Magnani, entre outros. Em seguida, foi a vez de dar destaque à grande homenageada da noite: Renata Sorrah.

Primeiro, foi exibido um vídeo com um depoimento de Fernanda Montenegro. Depois, Bia Lessa e Marieta Severo subiram ao palco para relembrar os 50 anos de carreira da atriz. Por fim, Amir Haddad, que dirigiu Renata em “Coronel de Macambira”, seu primeiro espetáculo em 1967, também prestou seu tributo.

Já Renata, visivelmente emocionada ao agradecer, desejou que seu trabalho colabore de alguma forma para militâncias a favor dos diretos de minorias. Sobre liberdade, ela voltou no tempo e agradeceu a Amir por ter dado uma “oportunidade de ser livre” ao escalá-la para uma peça durante o período da ditadura.

Com 50 anos de carreira, a atriz Renata Sorrah foi a grande homenageada da noite

Em relação ao conteúdo dos discursos, os protestos de cunho político foram mais amenos e escassos se comparados a outras oportunidades. Logo na abertura, o produtor e presidente da Aptr Eduardo Barata criticou o Programa de Fomento às Artes da Secretaria Municipal de Cultura. César Augusto, ganhador na categoria Especial, fez crítica semelhante em seu discurso. Já Artur Luanda Ribeiro leu um manifesto contra o prefeito Marcelo Crivella e Nilcemar Nogueira, secretária municipal de cultura. Juliana Guimarães soltou um “Fora, Temer”. E Caruso criticou os baixos investimentos destinados à cultura pelas esferas políticas municipal, estadual e federal.

Confira todos os vencedores:

MÚSICA
Alfredo Del Peño e Beto Lemos por “Auê”

ILUMINAÇÃO
Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier por “Gritos”

FIGURINO
Luiza Fardin por “Se eu Fosse Iracema”

CENOGRAFIA
José Dias por “Doroteia” e Daniela Thomas e Camila Schimidt por “Os Realistas”

ATOR EM PAPEL COADJUVANTE
Ary França por “Galileu Galilei”

ATRIZ EM PAPEL COADJUVANTE
Juliana Guimarães por “Sucesso”

DIREÇÃO
Artur Luanda Ribeiro e André Curti por “Gritos”

AUTOR
Claudia Mauro por “A Vida Passou por Aqui”

ATOR EM PAPEL PROTAGONISTA
Marcos Caruso por “O Escândalo Philippe Dussaert” e Otto Jr. por “Amor em Dois Atos”

ATRIZ EM PAPEL PROTAGONISTA
Suzana Faini por “O Como e o Porquê”

ESPECIAL
Cesar Augusto  pela multiplicidade de ações artísticas Rio Diversidade

ESPETÁCULO
“Auê” e “Gritos”

PRODUÇÃO
“Auê”